Vivemos momentos difíceis em todo o mundo, com os conflitos armados que eclodem entre vários países, fruto mais de interesses de ordem econômica, como da indústria bélica que deseja vender seus produtos, cada vez mais marcados pela tecnologia de ponta e sobretudo uma avidez, das grandes potências mundiais, na busca, entre outros, de minerais raros e domínio do petróleo. A defesa da democracia e para o bem dos povos em países em litígio, tornam álibis para iniciar conflitos armados.
Países são invadidos, sem que se reconheça a sua autonomia no que diz respeito à sua organização político-social e aos rumos estabelecidos para melhor atender aos seus cidadãos, na busca permanente do desenvolvimento integral.
Organismos, como a ONU – Organização das Nações Unidas, outrora uma instância forte para coibir abusos e estabelecer relações justas entre os povos e nações, hoje se vê desacreditada, sem que a sua voz se faça ouvir e tenha eco junto aqueles que governam, atualmente, as nações no mundo todo. Nossas instituições globais carecem de autoridade e poder, no seu silêncio se fazem coniventes com a injustiça social, vivendo um descrédito, não visto anteriormente.
De uma hora para outra, os países em guerra mostram o seu poderio bélico, investindo milhões para a segurança e salvaguarda de suas fronteiras.
É uma injustiça que clama aos céus. Tanto dinheiro para armamentos, enquanto multidões têm fome, não têm casa, não são assistidos, convenientemente, na saúde e na educação... enfrentam os dramas da miséria e da pobreza, num total desrespeito à sua dignidade de imagem e de filho/a de Deus e à defesa de seus direitos enquanto cidadãos.
A guerra não traz vitórias, traz, sim, destruição, mortes de inocentes, fome e miséria, complica a vida dos povos e nações para se recuperarem seja na sua estrutura física, na reconstrução de casas, pontes e espaços públicos; quanto também diante dos traumas psicológicos que trazem e que vão acompanhar as populações sobreviventes, pelo menos, por mais duas a três gerações.
Deus é o Deus da paz, da justiça social, do amor a todos - amigos e inimigos. Seu reino é de vida e de verdade, que não se constrói na maldade humana, mas no amor que acolhe as diferenças, que promove o diálogo para vencer os conflitos e que nos faz compreender que, apesar de nossas diferenças, somos todos irmãos e irmãs.
A quaresma nos ajude a vencer este espirito belicoso, de querer destruir as pessoas, de invadir nações, de mostrar poder ceifando vidas, gerando incertezas quanto ao futuro, fome e miséria, aumentando as migrações e a situação de refugiados em todo o mundo.
Precisamos nos converter, promovendo uma cultura de paz, a partir dos ambientes que frequentamos, com o desejo de que nossa corrente pela paz se faça ouvir junto aos que detém o poder mundial.
É a paz, enquanto expressão de vida, de dignidade, de promoção humana, que Deus deseja para o seu povo. Somos instrumentos d’Ele para fazer reinar a paz no mundo.
Pe. Marcelo Moreira Santiago