Leituras: 1Jo 2,22-28; Sl 97; Jo 1,19-28.
“Sou uma voz que clama no deserto:
Endireitai o caminho do Senhor” (Jo 1,23).
Graça a pedir:
Senhor, dai-me a graça de compreender a missão
de João Batista e a minha própria missão.
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO JOÃO 1,19-28
- Imaginando a cena bíblica:
- Encontre um local tranquilo onde você possa estar sem interrupções. Sente-se confortavelmente. Feche os olhos, acalme a sua mente e o seu coração.
- Tome consciência da presença de Deus junto de você. Peça a graça sugerida para o dia de hoje.
- Faça o Sinal da Cruz e reze ao Espírito Santo. Depois, leia atentamente a Palavra de Deus para hoje, especialmente o Evangelho.
- Imagine o cenário: o deserto, o rio Jordão, as pessoas vindo para serem batizadas.
- Sinta o calor, a poeira, veja João Batista, como ele se veste? Como é sua postura? Sua voz?
- Ele se mostra austero, transmitindo autoridade e convicção ...
- Observe também os sacerdotes e levitas que chegam de Jerusalém. Como é a sua atitude: de curiosidade? De desconfiança? De arrogância? ... Eles representam o poder religioso estabelecido.
- Entre na cena: você é um dos que ouve o diálogo. Ouça as perguntas feitas a João: quem és tu? És Elias? És o profeta? (Jo 1.19.21).
- Sinta a pressão sobre João ...
- Observe a firmeza e a clareza de João em suas negações: “eu não sou o Messias”.
- Sinta a humildade e a verdade em suas palavras. Ele não busca glória para si.
- Ouça João definir-se: “Eu sou a voz de quem clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor” (Jo 1,23).
- Sinta a força dessa imagem. Ele é apenas uma voz, um instrumento, apontando para outro alguém.
- Os fariseus o questionam sobre a autoridade de seu batismo. Sinta a tensão no ar.
- Ouça a resposta de João que desvia o foco de si mesmo e aponta para aquele que está presente, mas ainda não é conhecido.
- “Eu batizo com água, mas no meio de vós está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia da sandália” (Jo 1,26-27).
- Sinta a reverência e a profunda humildade de João diante de Jesus. Ele se considera indigno até mesmo do serviço mais simples...
- Meditando a Palavra de Deus:
- Uma comissão oficial de Jerusalém, composta por sacerdotes e levitas, foi enviada para interrogar João.
- Essa delegação representa a autoridade religiosa e política estabelecida e que se sente ameaçada ou, no mínimo, intrigada pela popularidade e pelas atividades de João no deserto.
- As perguntas são diretas e buscam encaixar João em categorias proféticas conhecidas.
- Quem és tu? Esta é a primeira e mais fundamental pergunta sobre sua identidade.
- “Eu não sou o Messias”, responde João com uma clareza inequívoca.
- Ele não busca a glória para si, nem se aproveita da expectativa messiânica do povo para se promover.
- Esta negação é crucial, João não é o centro, mas um instrumento.
- “Então, quem és tu? És Elias?
- A expectativa de que Elias voltaria antes do Messias era forte. João nega ser Elias literalmente.
- A negação aqui serve para sublinhar que João não é o Elias escatológico que todos esperavam, mas sim um precursor, alguém que veio preparar os caminhos do Salvador.
- “És o Profeta?”: João nega ser esse profeta escatológico que se entendia ser alguém com autoridade semelhante à de Moisés.
- Diante das negações, a comissão exige uma resposta clara para seus superiores.
- É então que João revela a sua missão: “Eu sou a voz de quem clama no deserto: endireitai o caminho do Senhor”.
- Essa é a essência do papel de João Batista. Ele não é a Palavra, mas a voz que prepara o caminho para a Palavra.
- Sua missão é remover os obstáculos, os pecados e as durezas de coração para que o Senhor possa ser acolhido.
- Ele é o arauto que anuncia a chegada iminente do Rei.
- Os fariseus questionam a autoridade de João para batizar, já que ele não se enquadra nas categorias de Messias, Elias ou profeta.
- O batismo de João era um batismo de arrependimento, um sinal de purificação e preparação para a vinda do Messias.
- “Eu batizo com água, mas no meio de vós está alguém que não conheceis, aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia da sandália”.
- Essa é a culminação do testemunho de João. Ele não só nega ser o Messias, mas aponta para Jesus que já está entre eles, embora ainda não reconhecido publicamente.
- “Não sou digno de desatar a correia de sua sandália”.
- Este é o gesto de extrema humildade de João.
- Desatar as sandálias de alguém era a tarefa mais humilde de um servo, normalmente reservada a escravos.
- João, reconhecendo a majestade de Jesus, declara-se inferior até mesmo ao mais baixo dos servos diante dele.
- Essa declaração estabelece a superioridade incomparável de Jesus e a absoluta dependência de João d’Ele.
- Para refletir: Minha vida aponta para Jesus? Busco as glórias vãs deste mundo, ou me cerco de humildade e da alegria em servir? Sou ardoroso no anúncio e no testemunho de Jesus como o Messias e Salvador em favor de meus irmãos e irmãs? Como, à semelhança de João Batista, tenho preparado os caminhos do Senhor? ...
- Rezando à luz da Palavra de Deus:
Vem Espírito Santo,
eleva o meu coração, ampara a minha fraqueza,
conduz-me à perfeição da caridade.
Purifica-me de todo o mal e, pela união contigo,
faz-me viver a vida espiritual.
Penetra-me e me enche com a tua luz divina
de modo que eu mesmo me torne luminoso
e reflita ao meu redor a tua luz,
a tua graça.
Amém.
- Contemplando a Palavra de Deus na vida:
- Basílio de Cesárea e Gregório de Nissa são exemplos de cristãos cujas vidas refletem o Evangelho, verdadeiros luminares da fidelidade e da beleza do ideal cristão.
- Basílio, dotado de forte personalidade, foi um homem de pensamento e de ação. Escreveu e pregou, especulou e socorreu.
- Gregório é o filósofo elegante, o poeta delicado, o contemplativo irrequieto.
- Ambos nos revelam o que significa tornar-se discípulos da verdadeira sabedoria e receber o dom do Espírito, que perscruta as profundezas de Deus.
- Estes dois amigos, que hoje celebramos, a Igreja os venera como santos e doutores.
- A caridade de Deus os fez operadores de bem e servidores dos irmãos e irmãs, como monges, como padres e como bispos.
- Ambos cantaram a beleza de Deus. Como amigos e companheiros, compreenderam que o seu ideal mais profundo era o amor da sabedoria.
- Movia-os a ânsia de saber.
- Escreve Gregório: "Uma só tarefa e um só objetivo havia para ambos: aspirar à virtude, viver para as esperanças futuras e nos comportar de tal modo que, mesmo antes de ter partido desta vida, tivéssemos emigrado dela.
- Esse foi o ideal que nos propusemos, e assim tratávamos de orientar a nossa vida e as nossas ações, em atitude de docilidade aos mandamentos divinos, entusiasmando-nos mutuamente à prática do bem: e, se não parecer demasiada arrogância, direi que éramos um para o outro a norma e a regra para discernir o bem do mal".
Importante:
- Faça silêncio em seu coração, deixe Deus lhe falar.
- Pergunte-se em que áreas da sua vida você precisa crescer em humildade e na alegria de servir?
- Reze confiante a Deus, renovando-se, em sua fé, no seguimento de Jesus, na vivência do discipulado missionário...
- Confia, mais uma vez, a Deus os frutos que espera colher nesse novo ano...
O Senhor te abençoe e te proteja.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face
e te seja favorável.
O Senhor volte para ti os seus olhos
e te conceda a paz’.
Pe. Marcelo Moreira Santiago
Primeira sexta-feira, dia dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em vós!