Hoje é um dia especial na vida da Igreja. Em muitos lugares celebramos a Solenidade da Epifania do Senhor, também conhecida como o Dia dos Reis Magos. Embora, em geral, essa solenidade seja transferida para o domingo mais próximo, vale sempre recordar o seu significado profundo, pois ela marca a manifestação de Jesus a todos os povos e vai conduzindo a Igreja para a conclusão do Tempo do Natal.
Tendo já celebrado a Epifania, a liturgia de hoje nos apresenta a Primeira Carta de São João, que nos revela uma verdade essencial da nossa fé: Deus é amor. Quem realmente O conhece é conduzido a amar também os irmãos. Não se trata de um amor meramente sentimental ou romântico, mas de um amor que se expressa em atitudes concretas, em presença, em doação. É um amor gratuito, generoso, que não depende de correspondência e que se renova constantemente. Somente um amor assim é capaz de perdoar, pois nasce da entrega e se torna fonte de cura.
O Salmo responsorial nos convida a reconhecer a manifestação de Deus na história: “Os reis de toda a terra hão de adorar o Senhor”. Cada ser humano é chamado a reconhecer Jesus como Rei. Não no sentido de um poder humano ou dominador, mas como Aquele que se torna a verdadeira autoridade em nossas vidas. Reconhecer Jesus como Rei é colocar Nele a nossa esperança, confiar que Ele cuida de nós com ternura e com a força de sua mão poderosa.
No Evangelho, contemplamos esse Rei que ensina, sobretudo, a amar. Diante da multidão cansada e desorientada, Jesus não permanece indiferente. Ele sente compaixão — uma palavra que expressa que a dor do outro toca profundamente o seu coração e se torna também a sua dor. Movido por essa compaixão, Jesus toma uma atitude: acolhe, orienta, ensina e guia o povo. Os discípulos, porém, ainda não compreendem plenamente essa lógica do amor. Preocupados com a multidão, propõem a solução mais prática: despedir as pessoas para que cada uma cuide de si.
A resposta de Jesus é surpreendente: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Mais uma vez, os discípulos se deparam com suas limitações e se assustam diante da escassez. No entanto, Jesus não rejeita o pouco que eles têm. Ele acolhe, agradece, parte e distribui — gestos profundamente eucarísticos. Assim, o Senhor nos ensina que o amor verdadeiro não se mede pela quantidade, mas pela generosidade da partilha. Quando colocamos nas mãos de Deus aquilo que somos e o pouco que temos, Ele transforma, multiplica e faz desse gesto um sinal de vida, comunhão e esperança para todos.
Aproveito para desejar a todos que as alegrias do Natal do Senhor iluminem e nos acompanhem todos os dias deste ano. Também louvo e agradeço a Deus pelo ministério de nosso querido pároco Pe. Marcelo Moreira Santiago. Seja ele sempre feliz e seu ministério fecundo e fonte de bênçãos.
Pe. Thiago José Gomes