Ontem, iniciamos em nossa liturgia o Tempo Comum. Após celebrarmos a alegria do Natal do Senhor e a festa de seu Batismo, a Igreja agora nos convida a acompanhar de perto o início da missão pública de Jesus. Este é um tempo precioso para lembrarmos uma verdade fundamental: é no nosso comum, no nosso cotidiano, nas tarefas e desafios diários, que a presença de Deus se manifesta de forma mais palpável e transformadora.
A Liturgia da Palavra de hoje nos apresenta histórias que ressoam profundamente com a nossa experiência humana. Começamos com a comovente história de Ana (1Sm 1,9-20), uma mulher que sofria de várias maneiras, especialmente por não poder ter filhos e pelas humilhações que isso lhe trazia. Sua figura representa tantos de nós que se sentem injustiçados, humilhados ou sobrecarregados por suas dores. O ensinamento aqui é poderoso: a confiança total no Senhor, que escuta nossas orações mais íntimas e conhece a profundidade de nosso sofrimento. Deus não nos abandona em nossas aflições, mas está atento ao clamor de nossos corações.
O Salmo Responsorial (1Samuel 2,1-8) é como um eco da oração de Ana transformada em louvor, convidando-nos a reconhecer a ação maravilhosa do Senhor em nossas vidas. Não há nada que possamos fazer para retribuir plenamente este amor divino; só nos resta acolhê-lo com gratidão e testemunhá-lo.
O Evangelho de Marcos (Mc 1,14-20) nos traz, mais uma vez, a narrativa do início da missão pública de Jesus. Ele proclama que “o tempo se completou e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho!” Esta é uma mensagem de urgência e esperança, o início de uma nova era, e o convite à conversão deve ecoar em nossos corações, chamando-nos a uma mudança de vida em direção a Deus. Em seguida, vemos o chamado dos primeiros discípulos: Simão, André, Tiago e João. Jesus os chama diretamente de suas atividades cotidianas, muitas vezes envolvendo suas relações familiares. Este chamado não é apenas para alguns, mas para todos nós, hoje. Ele nos chama em meio às nossas vidas, às nossas profissões, às nossas famílias, para deixarmos o que nos impede e seguirmos o seu caminho, dando um novo e verdadeiro sentido à nossa existência.
Que a Liturgia da Palavra de hoje nos inspire a reconhecer a presença amorosa de Deus em nosso dia a dia, a confiar Nele em nossas dores e a responder com prontidão ao Seu chamado à conversão, seguindo Jesus em nossa missão de fé.
Pe. Thiago José Gomes