Neste dia a Liturgia da Palavra nos oferece poderosas reflexões sobre a fé que insiste e a autoridade transformadora de Jesus, o Messias. Somos convidados a mergulhar na beleza desses textos que nos iluminam sobre a presença atuante de Deus em nossas vidas cotidianas.
A primeira leitura nos leva novamente à história de Ana (1 Samuel 1,1-8), uma mulher que, em sua profunda angústia pela esterilidade, derrama seu coração diante do Senhor. Ela se volta para o sacerdote Eli, e sua súplica é tão intensa, tão do fundo de sua alma, que Eli chega a pensar que ela está embriagada. Mas Ana insiste, explicando sua dor e sua fé. E Deus, em sua infinita bondade, diante da persistência e do compromisso dessa mulher de fé, age com generosidade e lhe concede o filho Samuel. Esta narrativa nos ensina uma verdade fundamental para nossa vida de oração: Deus é aquele que escuta nossa insistência. Em nossas próprias angústias, em nossos "desesperos" silenciosos ou manifestos, somos chamados a nos voltar para o Senhor com fé inabalável. Assim como Ana, devemos persistir, confiando que Ele vê além das aparências, compreende a profundidade de nosso coração e é generoso com aqueles que Lhe buscam com sinceridade e compromisso. Que a história de Ana nos inspire a nunca desistirmos de rezar, mesmo quando a resposta parece demorar ou as circunstâncias nos fazem duvidar.
O Salmo Responsorial (1 Samuel 2,1-8) ecoa essa confiança e nos convida a reconhecer e louvar as maravilhas que Deus realiza em nossas vidas. É um cântico que nos lembra a grandeza do Senhor e Sua capacidade de transformar situações, de levantar os humildes e de manifestar Seu poder. Ele nos encoraja a ver Suas ações em nosso dia a dia, nas pequenas e grandes vitórias, nas provações superadas e nas graças recebidas.
Já no Evangelho de Marcos (Mc 1,21-28), somos testemunhas do início do ministério público de Jesus. Ele começa a ensinar nas sinagogas, os lugares da Palavra, e todos ficam admirados. A diferença é notável: Jesus não ensina como os mestres da Lei, mas com uma autoridade que brota de Sua própria identidade divina. Ele se coloca verdadeiramente como nosso Mestre, não apenas transmitindo leis, mas revelando a verdade sobre Deus e sobre nós mesmos. E junto ao seu ensinamento, vem a ação libertadora: Ele expulsa um espírito impuro, e até os espíritos maus reconhecem quem Ele é – o Santo de Deus! Estes sinais são claros e inconfundíveis para acolhermos Jesus como o Senhor em nossas vidas. Em nosso cotidiano, somos constantemente bombardeados por diversas vozes e ideias. Que o ensinamento de Jesus, presente na Palavra de Deus e na doutrina da Igreja, seja nossa bússola. E que a Sua autoridade liberte-nos de todo o mal, de medos, vícios e preconceitos que nos aprisionam, permitindo-nos viver uma vida plena em Sua verdade e amor.
Que a Liturgia deste dia nos fortaleça na oração persistente e nos ajude a reconhecer e acolher a autoridade libertadora de Jesus em cada aspecto de nossa vida.
Pe. Thiago José Gomes