A liturgia da Palavra que hoje nos convida a uma reflexão profunda sobre a dura realidade da vida, a confiança inabalável em Deus e a vontade libertadora de Jesus.
A primeira leitura de hoje nos transporta para momentos desafiadores na história do povo de Deus. Ela nos narra tempos de grande dificuldade, de quedas e derrotas que, infelizmente, não são estranhas à nossa própria experiência. Quantas vezes observamos guerras, violências e perdas ao nosso redor e em nosso mundo? O povo de Israel, mesmo sendo o povo escolhido, também experimentou esses momentos de dor e fragilidade.
Eles clamam ao Senhor por salvação, mas a leitura nos mostra algo importante: nem mesmo a presença da Arca da Aliança – um símbolo tão poderoso da presença de Deus – é uma garantia de que seremos poupados de todas as batalhas ou de que venceremos sempre. A Bíblia, em sua honestidade, nos apresenta a realidade da vida com seus altos e baixos. Não podemos nos iludir, achando que nossa fé ou nossas seguranças religiosas nos livrarão de todas as derrotas. É preciso enfrentar a dureza da vida, as perdas e os desafios que se apresentam.
Mas, se é preciso enfrentar as derrotas, é igualmente fundamental manter a confiança no Senhor. A história, a nossa história e a história da salvação, não termina em derrota. Ela se desenrola na esperança e na promessa de que Deus está conosco em todos os momentos.
O Salmo responsorial de hoje ecoa esse sentimento. Ele é um grito, uma oração sincera diante das dores e dificuldades que a vida nos apresenta, expressando nossa confiança de que Deus ouve e não nos abandona.
Diante de todas essas realidades, é natural que nos perguntemos: qual é a vontade de Deus? Será que Ele deseja nossa derrota, nosso sofrimento, nossa morte? Como Ele permite que tudo isso aconteça? A resposta clara e definitiva para essas perguntas está em Jesus Cristo.
Hoje, no Evangelho, Jesus mais uma vez nos mostra a verdadeira vontade de Deus. Ele nos quer livres, puros e íntegros. Vemos Jesus curando um homem que sofria de lepra, uma doença que não só afligia o corpo, mas também isolava a pessoa da sociedade e da vida religiosa.
Ao pedir ao homem curado que fosse ao sacerdote e cumprisse os ritos da Lei, Jesus está nos mostrando algo muito além de uma simples cura física. Ele quer que a pessoa tenha de volta todas as condições para estar bem e funcional na sociedade e na religião. A vontade de Deus é que tenhamos vida em plenitude: saúde do corpo e da alma, integração na comunidade, e a capacidade de viver nossa fé sem impedimentos.
E, mais uma vez, as pessoas não conseguem ficar quietas! Elas testemunham a ação de Jesus e não se contêm, anunciando a todos o que Ele fez. Que esse mesmo entusiasmo nos mova a nós também!
Que a Palavra de hoje nos fortaleça na fé para enfrentar as adversidades, confiantes de que a vontade de Deus é sempre a nossa vida plena e nossa liberdade. Que possamos, como o homem curado, voltar à plenitude de nossa vida, testemunhando a ação libertadora de Jesus em nós.
Pe. Thiago José Gomes