Meu irmão, minha irmã, vamos caminhando com o Senhor Jesus e percebendo em seus gestos e palavras o plano salvífico.
As leituras de hoje nos colocam diante do mistério das provações e da fé amadurecida no silêncio. São Tiago nos lembra que a fé verdadeira não se constrói na ausência de dificuldades, mas precisamente na travessia delas. As provações, longe de serem sinal de abandono, tornam-se espaço de crescimento interior, onde a perseverança vai moldando um coração íntegro, unificado, capaz de confiar sem reservas. Quando a fé é testada, revela-se aquilo que realmente sustenta nossa vida.
O salmo ecoa essa experiência ao reconhecer que a humilhação e a prova foram caminhos de aprendizagem. Só quem passa pelo deserto compreende o valor da Palavra e descobre que ela vale mais do que qualquer segurança material. A confiança nasce quando aceitamos que Deus é bom mesmo quando não compreendemos seus caminhos, e que seu amor permanece como consolo no meio das incertezas.
No Evangelho, os fariseus pedem um sinal, mas Jesus se recusa a oferecer provas espetaculares. Seu suspiro revela o cansaço diante de uma fé que exige garantias antes de se entregar. A verdadeira fé não vive de sinais externos, mas de uma adesão profunda e confiante à presença de Deus, mesmo quando Ele parece silencioso. Ao entrar na barca e partir, Jesus nos ensina que Deus não se impõe; Ele caminha com quem aceita confiar sem exigir confirmações constantes.
Essas leituras nos convidam a examinar se nossa fé é perseverante ou instável, se buscamos Deus pelo que Ele é ou apenas pelos sinais que esperamos receber. A maturidade espiritual nasce quando aprendemos a permanecer fiéis, mesmo sem respostas imediatas, certos de que é no silêncio e na constância que Deus nos conduz à vida plena.
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves.