Caríssimos (as),
As leituras de hoje nos ajudam a distinguir com clareza aquilo que vem de Deus e aquilo que nasce das nossas próprias fragilidades. São Tiago afirma com firmeza que Deus não tenta ninguém; Ele não conduz ao mal nem se compraz na queda humana. As tentações brotam do interior desordenado do coração, quando os desejos não são educados e passam a governar as escolhas. Deus, ao contrário, é sempre fonte de vida: d’Ele vêm os dons, a graça e a possibilidade de recomeçar.
A provação, porém, não é inútil. Quando suportada com amor e fidelidade, ela se transforma em caminho de amadurecimento espiritual. O fiel que permanece firme não recebe como recompensa um sucesso imediato, mas a “coroa da vida”, sinal de uma existência enraizada em Deus. O salmo confirma essa experiência ao reconhecer que o Senhor educa, sustenta e consola justamente quando o coração se sente prestes a cair. A Lei de Deus não oprime; ela orienta e devolve equilíbrio à alma.
No Evangelho, os discípulos revelam um coração ainda preso ao imediato. Preocupam-se com a falta de pão e não compreendem o alerta de Jesus sobre o fermento dos fariseus e de Herodes, símbolo de uma mentalidade que contamina silenciosamente: a hipocrisia, a dureza de coração e a busca de poder. Mesmo tendo presenciado a multiplicação dos pães, eles ainda não conseguem confiar plenamente. Jesus os interpela com firmeza, não para humilhá-los, mas para despertá-los de uma fé superficial para uma fé madura.
Essas leituras nos convidam a perceber quantas vezes também nós reduzimos a vida espiritual a preocupações imediatas, esquecendo-nos da ação fiel de Deus já experimentada no passado. Entre a tentação que nasce do coração dividido e o dom perfeito que desce do alto, somos chamados a escolher a confiança. Compreender isso é deixar que Deus eduque nossos desejos, cure nossa memória e transforme nossa fé em um caminho lúcido, perseverante e verdadeiramente livre.
Pensemos com seriedade:
1. Quais “fermentos” têm moldado silenciosamente minhas atitudes e decisões, afastando-me da confiança plena em Deus e endurecendo meu coração?
2. Diante das provações e tentações do cotidiano, tenho reconhecido os dons que já recebi do Senhor ou continuo preso às faltas imediatas, esquecendo-me de sua fidelidade?
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves.