As leituras de hoje nos conduzem ao coração do mistério da nossa fragilidade e da infinita misericórdia de Deus. No Gênesis, contemplamos a beleza da criação: o ser humano moldado com cuidado, colocado no jardim, chamado à vida em comunhão com o Criador. Contudo, a sedução da autossuficiência rompe essa harmonia. A serpente insinua a desconfiança, e o desejo de “ser como Deus” leva à desobediência. O pecado nasce quando o coração deixa de confiar e passa a suspeitar do amor de Deus.
O Salmo 50 é o grito de quem reconhece essa ruptura. Não há justificativas, apenas súplica: “Criai em mim um coração que seja puro”. A verdadeira conversão começa quando assumimos a própria responsabilidade e nos abrimos à ação recriadora de Deus. O pecado fere, mas o arrependimento sincero reabre o caminho da graça.
São Paulo amplia nosso horizonte ao afirmar que, se por um só homem entrou o pecado no mundo, por um só — Cristo — superabundou a graça. A desobediência de Adão trouxe morte; a obediência de Jesus trouxe vida. A história humana não está condenada ao fracasso: em Cristo, a graça é sempre maior que o pecado.
No Evangelho, vemos Jesus no deserto, enfrentando as tentações que atingem também cada um de nós: a sedução do pão sem Deus, do poder sem obediência, da glória sem cruz. Onde Adão caiu, Cristo permanece fiel. Ele vence não com força espetacular, mas com a Palavra e com a confiança total no Pai. Assim nos mostra que a verdadeira vitória não está em evitar a luta, mas em permanecer firmes na fidelidade.
Para refletir:
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves.