RETIRO QUARESMAL ONLINE
DIA 23 DE FEVEREIRO – SEGUNDA-FEIRA
“Eu era um estrangeiro e me acolheste em casa”
(Mt 25,35)
Leituras: Lv 19,1-2.11-18; Sl 18; Mt 25,31-46.
PEDIR A GRAÇA DA SEMANA
Que o Senhor conceda sua graça para esvaziar minha ‘casa’
interior dos apegos, ídolos, vaidades... e assim
poder viver o seguimento de seu Filho
Com mais inspiração.
INTRODUÇÃO
- O tema da CF deste ano nos recorda que “na casa do Pai há muitas moradas” (Jo 14,2).
- A casa de Deus é ampla, é a casa de todos os seres humanos, casa de reconciliação e justiça, aberta antes de tudo para aqueles que foram expulsos de suas casas.
- É da nossa condição humana buscar um espaço, um lugar hospitaleiro e acolhedor, onde nos situamos no mundo e no qual podemos ser encontrados.
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO MATEUS 25,31-46
- Comece sua oração criando um ambiente favorável: entre em sua “casa interior”, tome distância dos ruídos, mobilize seu corpo, pacifique, sinta-se na presença do Senhor e peça a graça indicada para esta semana.
- Para iniciar um profundo diálogo com aquele que o habita, leia e saboreie o Evangelho indicado para este dia e deixe que a luz da Palavra de Deus ilumine todo o seu ambiente interior.
- Reze as “obras de misericórdia” encontradas na parábola do Evangelho de Mateus neste dia.
- No documento de Aparecida, as tradicionais obras de misericórdia ganham nova feição, traduzindo-se na afirmação da dignidade humana, defesa incondicional da vida, promoção do bem comum, justa distribuição de renda, inclusão social, defesa dos direitos humanos, acesso aos bens culturais, salário justo e segurança alimentar, morada digna (n. 358-359).
- A parábola do “Juízo final”, contada por Jesus, não tem a intenção de alimentar medo no momento do encontro definitivo com o Senhor.
- O verdadeiro “templo” é o outro, sobretudo os carentes e marginalizados.
- Sua experiência de Deus se reduz a algumas práticas religiosas autocentradas ou é mobilizadora para ativar uma presença solidária e profética junto aos mais sofredores? Qual é o “lugar” do seu encontro com Deus? ...
- O que verdadeiramente nos move e nos interessa na parábola do Juízo Final não é especular sobre as realidades últimas, mas dirigir nossa atenção e nosso pensamento sobre a realidade presente.
- Em nossas mãos está a possibilidade de evitar a dor dos excluídos e das vítimas, que é a dor de Deus na história.
- Deus colocou a história em nossas mãos e nos dotou de nobres recursos para que possamos continuar a mesma missão do seu Filho: “aliviar o sofrimento humano”.
- Não há relação, nem culto possível ao Deus de Jesus que não passe pela prática da misericórdia, da solidariedade e da justiça com nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis.
Oração
Senhor Jesus,
dá-me a dimensão divina da tua caridade.
Quero ajudar-Te, ajudando todos os irmãos carentes
de bens materiais, de atenção, de conforto
e de compreensão.
Tu disseste: “O que fizestes a um destes pequeninos,
foi a Mim que o fizestes”.
No caminho de Damasco,
disseste a Saulo que perseguia os cristãos:
“Eu sou Jesus a quem tu persegues”.
A Martinho, que dividiu o manto com um pobre,
também disseste:
“Hoje, Martinho revestiu-me com o seu manto”.
Exemplos que iluminam o Evangelho
e dão-me força para percorrer o mesmo caminho,
certo de que, na atenção generosa
para com todos as pessoas pobres e necessitadas,
começo, desde já, a viver a vida eterna,
porque Te amo nos irmãos e irmãs,
a partir dos pequenos e excluídos.
Amém.
Para refletir: Tenho praticado as obras de misericórdia? Minha fé se mostra autêntica no testemunho das boas obras? Reconheço que o que faço aos meus irmãos e irmãs, sobretudo os mais empobrecidos, estou fazendo ao próprio Deus? O amor que me direciona a Deus tem me levado a viver a alegria de amar e servir? ...
3. Contemplando a Palavra de Deus
- Ao pronunciar o discurso que escutamos no Evangelho, Jesus não quer descrever os acontecimentos finais em si mesmos. Quer, sim realçar o significado central da sua pessoa.
- Com as obras de misericórdia, Jesus nos incita à misericórdia, à caridade, para com eles. Esta identificação surpreende-nos.
- No Evangelho, Jesus já não fala da sua autoridade, mas da sua pessoa. Identifica-se com os pobres. Já não estamos diante da simples justiça. Estamos diante da caridade.
- Se a nossa experiência contemplativa for autêntica, sentiremos a necessidade de irradiar este amor entre os irmãos e irmãs, isto é, de viver "a oração perene" (ou caridade perene), de acordo com a exortação de Jesus: é preciso "rezar (amar) sempre, sem desfalecer" (Lc 18, 1).
Importante:
- Finalize sua oração agradecendo e confiando a Deus os frutos que espera colher neste tempo quaresmal...
- Renove os seus propósitos de viver, por este tempo, as práticas penitenciais do jejum, da oração e da esmola (caridade), obediente à voz de Deus, buscando fazer a sua santa vontade, e hoje, especialmente vivendo as obras de misericórdia.
- Veja os apelos, as inspirações e moções que o Senhor despertou em seu coração, neste dia...
- Reze a oração da CF-2026:
Deus, nosso Pai,
em Jesus, vosso Filho,
viestes morar entre nós
e nos ensinastes o valor da dignidade humana.
Nós vos agradecemos por todas as pessoas
e grupos que, sob o impulso do Espírito Santo,
se empenham em prol da moradia digna para todos.
Nós vos suplicamos:
dai-nos a graça da conversão,
para ajudarmos a construir uma sociedade
mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho
para todas as pessoas,
a fim de, um dia, habitarmos, convosco,
a casa do céu.
Amém.
- Faça, a seguir, as anotações espirituais...
“O que fizeste ao menor dos pequenos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25, 40).
Pe. Marcelo Moreira Santiago