“Fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais pelo precioso Sangue de Cristo”. A liturgia da Palavra deste dia nos apresenta o grande valor da vida humana. Nosso existir extrapola os limites das realidades materiais, pois, diante da nossa condição de pecadores, fomos redimidos pelo sacrifício salvador de Cristo. Quando cultivamos essa verdade em nossa vida interior, aprendemos que os sofrimentos e desafios deste mundo não são capazes de nos afastar do nosso objetivo maior: alcançar a bem-aventurança eterna.
Para isso, porém, é necessário ter coragem de romper com toda mentalidade mundana que insiste em nos aprisionar aos valores passageiros deste tempo. Nossa esperança não pode ser desperdiçada tornando-nos escravos das coisas que passam, desviando o nosso olhar das realidades eternas para as quais Cristo nos chama. Daremos um passo concreto nessa direção quando formos capazes de imitar, em nosso cotidiano, o modo de agir do próprio Jesus.
Nosso testemunho precisa ser coerente com a fé que professamos. Não podemos agir como papagaios que apenas repetem aquilo que ouvem, no que diz respeito as verdades da salvação ensinadas pela Igreja, mas não as colocam em prática. Aquilo que anunciamos com os lábios deve, antes, ter passado pelo coração e traduzir-se em atitudes concretas. Do contrário, em vez de aproximarmos as pessoas de Cristo, acabaremos afastando-as d’Ele.
Um primeiro passo que o Senhor nos pede nesta liturgia é aprender a amar verdadeiramente. E não se trata de um amor interesseiro, que busca apenas aquilo que o outro pode oferecer em troca. Somos chamados a crescer no desejo sincero de corresponder ao amor que Cristo derrama sobre nós todos os dias. Não façamos como os filhos de Zebedeu, que quiseram usar sua condição de discípulos para alcançar privilégios e benefícios pessoais.
O amor que somos chamados a viver e anunciar deve ser marcado pelo espírito de serviço. Precisamos mostrar ao mundo como é belo esvaziar-se de si mesmo para permitir que Cristo preencha o vazio da nossa existência. Falta-nos, muitas vezes, aprender com o Mestre que há mais alegria em dar e em se doar do que em receber. Os dons que possuímos se multiplicam quando são colocados a serviço do bem comum. O próprio Jesus nos oferece esse exemplo ao humilhar-se e entregar-se livremente por amor, desejoso de nos garantir a salvação eterna.
Se realmente desejamos nos aproximar de Jesus Cristo e ser reconhecidos como seus amigos, procuremos imitar as suas atitudes, para que sejamos conhecidos pela nossa capacidade de amar e servir. Nosso modelo não são os poderosos deste mundo, que frequentemente oprimem os mais fracos para conservar o próprio poder. O verdadeiro modelo do discípulo é Cristo Servo, humilde, sofredor e amoroso, que se entrega livremente para nos salvar da perdição eterna e nos conduzir à vida plena.
Por isso, quero concluir esta reflexão sugerindo aos irmãos e irmãs uma bela canção do Pe. Francys Silvestrini Adão, que nos ajuda a pedir ao Senhor a graça de possuir os mesmos sentimentos e o mesmo modo de proceder de Cristo. Ao ouvir essa música, peça ao Senhor que molde o seu coração, para que aqueles que convivem com você possam reconhecer, em suas atitudes, os reflexos da ação redentora de Jesus.
Música: Teu proceder, Pe. Francys SJ, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-Q3-EDJludo&list=RD-Q3-EDJludo&start_radio=1
Seminarista Rômulo