“Coragem, levanta-te, Jesus te chama”. Gostaria de iniciar esta reflexão com a exortação feita ao cego Bartimeu, mas que também é dirigida a nós em nossa vida hoje: tenhamos coragem, levantemo-nos, abandonemos toda condição de pecado que nos afasta de Cristo e corramos ao seu encontro. A liturgia da Palavra de hoje possui um grande caráter catequético, que nos impulsiona a buscar, quanto antes, o encontro com o Senhor, desejosos de sermos curados de tudo aquilo que nos impede de fazer comunhão com Ele.
A cena que contemplamos no Evangelho de hoje chama a atenção por sua riqueza de conteúdo. Nela vemos um homem que vivia às margens ser resgatado pela compaixão e misericórdia de Jesus. O Senhor, ao passar por aquele local, demonstra, em seu agir, grande sensibilidade, pois, no meio daquela multidão marcada por diferentes sentimentos, é capaz de escutar a voz daquele homem que clama por atenção.
Um dado merece destaque: o fato de as multidões quererem calar a sua voz. Poderíamos pensar nas causas de tal atitude. A primeira delas seria o desejo de monopolizar a presença de Cristo, entendendo que, diante daquele homem, aparentemente insignificante, o Messias não deveria parar, pois isso seria uma grande perda de tempo. Havia muitas coisas a serem feitas, havia um reino político para restaurar, era preciso combater a opressão dos poderosos; assim, tudo o que desviasse a atenção de Jesus desse objetivo deveria ser repelido.
O segundo motivo que poderíamos apontar como causa da repreensão feita pela multidão àquele homem é o medo de que sua manifestação denunciasse a indiferença reinante naquele tempo. O texto apresenta Bartimeu como um mendigo sentado à beira do caminho, o que dá a entender que se tratava de um homem que vivia à margem da sociedade, esquecido pelo povo. O abandono daquele pobre depunha contra a comunidade que buscava em Jesus a resposta para sua esperança.
Diante desses dois possíveis cenários, a postura de Jesus é muito clara: no Reino de Deus não há espaço para a indiferença, para o abandono e para o desprezo; todos são importantes. O Mestre escuta sua voz, chama-o, tira-o da margem e o coloca no centro daquela cena, mostrando que a lógica de Deus não admite a lógica do descarte promovida pelos poderosos. O messianismo de Jesus compreende a necessidade de restaurar a dignidade de todos aqueles que se encontram esquecidos e deixados de lado; sua mensagem de salvação é para todos, sem exceção.
Mas não somente a atitude de Jesus Cristo é exemplo para nós. Bartimeu, com sua perseverança, ensina-nos a importância de não nos deixarmos vencer pelas contrariedades da vida. Além disso nos mostra que, quando nos encontramos com o Senhor, até mesmo do pouco que temos precisamos nos desapegar para segui-Lo por onde for. Nossas orações nunca ficam sem resposta diante de nossas necessidades; entretanto, precisamos estar preparados e atentos, pois a resposta que o Senhor nos dá nem sempre é a que queremos, mas certamente é a que necessitamos.
Por isso, rezemos: Senhor, sabemos que vossa bondade é infinita e perdura para sempre; confiamos que vosso amor é eternamente fiel. Por isso, queremos vos pedir: dai-nos a graça de perseverarmos em vossa presença, abraçando a grande dádiva que é estarmos unidos a vós, de modo que, em nossas necessidades, recorramos à vossa misericórdia e não desanimemos diante do caminho para o qual nos chamais a servir. Concedei-nos um coração livre e desapegado, para que a nossa vida permaneça sempre unida à vossa. Amém.
Seminarista Rômulo