Neste domingo, celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, mistério central da nossa fé. Mais do que tentar compreender plenamente sua essência, somos convidados a acolher o amor de Deus que se manifesta como perfeita comunhão entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Trata-se de um amor que não permanece fechado em si mesmo, mas que transborda continuamente em favor da humanidade.
A primeira leitura nos apresenta esse Deus que toma a iniciativa de vir ao encontro do seu povo oprimido no Egito e o liberta da escravidão. Mais do que libertar, Deus permanece junto daqueles que ama. Por isso, Moisés pode invocar o Senhor como misericordioso, clemente, paciente, rico em bondade e fiel. Esses atributos revelam um Deus que jamais abandona os seus filhos, mesmo quando estes se mostram infiéis e de coração endurecido.
Essa presença amorosa alcança sua expressão máxima na Encarnação de Jesus Cristo. O Filho de Deus vem ao mundo para libertar a humanidade do pecado e manifestar o quanto somos amados pelo Pai. Como nos recorda o Evangelho, Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele. Somente à luz do amor podemos compreender um Deus que se faz homem para resgatar aqueles que estavam perdidos.
Diante de tão grande amor, somos chamados a responder com fé e conversão. Deus nos criou para a vida e deseja conduzir-nos à vida eterna. Por isso, como batizados, devemos rejeitar tudo aquilo que promove a cultura da morte e empenhar-nos na construção do Reino de Deus.
Na segunda leitura, São Paulo nos recorda alguns valores indispensáveis para essa missão: a alegria, o encorajamento mútuo, a concórdia e a paz. Esses dons brotam do coração de Deus e devem marcar a vida daqueles que desejam ser discípulos de Cristo.
Contudo, não podemos viver esse chamado apenas com nossas próprias forças. Necessitamos da graça divina para superar o individualismo, a indiferença e as divisões que enfraquecem nossas comunidades. Somos filhos de um Deus que é perfeita comunhão de amor; por isso, nossa vocação é viver e promover a comunhão.
Ao contemplarmos hoje o mistério da Santíssima Trindade, não nos fixemos naquilo que ultrapassa nossa compreensão, mas no amor que Deus derrama sobre nós. Criados à sua imagem e semelhança, somos chamados a refletir em nossa vida a unidade e a comunhão que existem eternamente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Seminarista Rômulo