Hoje celebramos Santa Dulce dos Pobres, uma das maiores santas brasileiras. Desde jovem, ela demonstrou uma profunda sensibilidade diante do sofrimento alheio. Ao perceber as necessidades dos pobres e doentes, colocou-se a serviço deles com coragem e criatividade.
Aquilo que começou de forma simples, utilizando um pequeno galinheiro para acolher pessoas necessitadas, transformou-se em uma grande obra de caridade que continua beneficiando milhares de pessoas. Sua vida foi inteiramente marcada pelo serviço ao próximo.
Neste Mês Vocacional, Santa Dulce nos recorda que toda vocação nasce para servir. Seguir Jesus significa aprender a amar concretamente.
Na primeira leitura, Ezequiel fala da rebeldia do povo. A verdadeira rebeldia consiste em fechar os olhos e os ouvidos para a vontade de Deus, vivendo apenas segundo os próprios interesses.
A imagem do profeta carregando sua bagagem simboliza o exílio que se aproxima e as consequências da infidelidade do povo. Deus não deseja castigar, mas alertar sobre os frutos das escolhas erradas.
No Evangelho, Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar. A pergunta continua extremamente atual. Perdoar não é fácil. Muitas vezes temos dificuldade até mesmo de oferecer uma única oportunidade de reconciliação.
Pedro imagina estar sendo generoso ao propor sete vezes. Mas Jesus vai muito além. O número apresentado pelo Senhor significa que o perdão não deve possuir limites.
A parábola do servo impiedoso deixa a mensagem ainda mais clara. Todos nós somos devedores diante de Deus. E, apesar de nossas faltas, recebemos continuamente sua misericórdia.
Por que então temos tanta dificuldade de agir da mesma maneira com os outros?
O perdão não significa aprovar o erro nem esquecer automaticamente aquilo que aconteceu. Trata-se de decidir não permanecer prisioneiro da mágoa, da vingança e do ressentimento.
Santa Dulce compreendeu isso profundamente. Seu amor pelos pobres nascia de um coração reconciliado com Deus e aberto aos irmãos.
Pe. Thiago José Gomes