Hoje celebramos a memória de São João Eudes. Sacerdote francês do século XVII, destacou-se por seu zelo missionário, pela formação dos futuros sacerdotes e pela promoção da devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.
Sua vida possui uma forte ligação com o Mês Vocacional. São João Eudes dedicou-se intensamente à renovação espiritual do clero, convencido de que bons pastores ajudam o povo a encontrar o caminho de Deus. Seu exemplo recorda a importância de rezarmos pelas vocações sacerdotais e pela santidade dos ministros da Igreja.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel dirige uma dura palavra aos pastores de Israel. Esses líderes estavam mais preocupados consigo mesmos do que com o povo que lhes havia sido confiado. A denúncia é forte. Em vez de cuidar das ovelhas, procuravam apenas seus próprios interesses. Em vez de fortalecer os frágeis, acabavam oprimindo os mais necessitados.
Essa tentação não existe apenas para os líderes religiosos. Todo aquele que possui alguma responsabilidade pode cair no risco de utilizar sua posição para benefício próprio. Diante disso, Deus anuncia que tomará em suas próprias mãos o cuidado do povo. Ele mesmo procurará suas ovelhas e as conduzirá para a segurança.
O Evangelho apresenta a conhecida parábola dos trabalhadores da vinha. Um proprietário sai diversas vezes ao longo do dia para contratar trabalhadores. Alguns começam cedo; outros somente no final da tarde. No fim do dia, todos recebem o mesmo salário.
À primeira vista, a situação parece injusta. Mas Jesus não está ensinando sobre relações trabalhistas. Está revelando como Deus age. Alguns servem ao Senhor desde a infância. Outros encontram a fé mais tarde. Alguns são chamados ainda jovens; outros somente na maturidade.
O foco da parábola não está nos trabalhadores, mas na generosidade do patrão, que representa o próprio Deus. Ele não engana ninguém. Cumpre exatamente o que prometeu. O problema nasce quando os trabalhadores começam a comparar-se entre si.
Também nós podemos cair nesse erro. Às vezes avaliamos a ação de Deus apenas a partir dos critérios humanos de mérito e recompensa. Mas o Reino dos Céus não funciona como uma negociação comercial. Deus ama gratuitamente e deseja salvar a todos.
Sua misericórdia não diminui quando alcança também aqueles que chegaram por último. Por isso Jesus nos convida a abandonar a inveja espiritual e a alegrar-nos porque Deus é bom para todos.
Pe. Thiago José Gomes