“O Senhor os escolheu e os enviou a toda cidade e lugar.”
Iniciamos hoje, na Igreja, o mês em que somos convidados a nos recordar de nossa obrigação missionária. Todos os batizados são chamados a ser sinais visíveis da presença de Deus na vida do mundo, pois o dom da fé que cada um recebe no ato de seu ingresso na família eclesial deve ser colocado a serviço da edificação do Reino. Há muitos que ainda não conhecem a beleza e a grandeza do Evangelho, pois falta quem o anuncie. Por isso, neste mês, somos chamados a despertar para o nosso compromisso missionário.
Um compromisso que não se resume à missão porta a porta, mas que deve ser entendido de maneira mais ampla. Ser missionário não significa fazer grandes coisas; a missão não é um atributo externo que se manifesta no agir humano, mas é fruto de um amadurecimento da fé que dispõe o coração humano a gastar toda a vida para que a Igreja possa ser implantada em todos os cantos da terra.
Portanto, há diversas formas de realizar tal movimento. Alguns sentem-se impelidos a deixar tudo e partir para terras longínquas, onde poderão evangelizar culturas que ainda não conhecem a pessoa de Jesus Cristo. Outros, porém, zelam pela atividade missionária da Igreja através de uma vida de oração ativa, na qual suplicam ao Bom Pastor da Messe que envie mais operários. Assim, vemos que não há um único jeito de ser missionário na Igreja. O Espírito Santo se encarrega de suscitar, no coração, as disposições necessárias para que sejam supridas as necessidades do anúncio.
Grande exemplo disso está na memória que celebramos hoje. Aqueles que conhecem a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus sabem que ela possuía um grande desejo de ser missionária, mas não podia, pois não gozava de boa saúde. Diante desse cenário, ela reconhece que poderia ser missionária rezando, de dentro do convento, por aqueles que se encontravam na lida apostólica, enfrentando os lobos dos quais Jesus nos fala no Evangelho de hoje. Tamanhas foram a sua fidelidade e o seu zelo que a Igreja a reconheceu como padroeira das missões, junto de São Francisco Xavier, o que reforça essa pluralidade de formas de sermos missionários.
Portanto, neste dia, peçamos a Deus a capacidade de sermos dóceis às interpelações do Espírito e atentos às necessidades de nosso povo, para que tenhamos a capacidade de nos comprometer com a Boa-Nova, anunciando a todos a mensagem de salvação que nos é confiada. O tesouro que recebemos não deve ser guardado numa atitude intimista de nossa parte, mas deve ser multiplicado em vista da salvação de muitos.
Que o Senhor nos ajude a ser anunciadores da paz, ainda que não sejamos compreendidos e aceitos. Que não tenhamos medo de ser portadores do amor de Deus na vida de nossos irmãos e irmãs. E que, onde quer que estejamos, possamos reconhecer que também ali o Senhor nos envia como seus missionários.
Seminarista Rômulo Ribeiro