Leituras: Jó 42,1-3.5-6.12-16; Sl 18(119); Lc 10,17-24
“Fazei brilhar o vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos”. Essa é a prece que a liturgia da Palavra deste dia nos convida a elevar a Deus: que Ele, com a luz de sua Palavra, nos ilumine, para que aprendamos o que devemos realizar a fim de agradá-Lo. Nosso coração, por vezes, tem de enfrentar inúmeras dificuldades, sofrendo com os desafios próprios de ser cristão. No entanto, na escuta atenta da voz de Deus, somos capazes de compreender o sentido de tudo o que experimentamos e, mais ainda, de nos mantermos fiéis aos seus ensinamentos.
Foi isso que Jó realizou em toda a sua vida. Embora tenha experimentado grandes perdas em seu existir, esse homem de Deus soube permanecer fiel e, por isso, foi considerado digno de conhecer o Senhor, não mais apenas por ouvir falar, mas agora por ver concretamente o agir de Deus em sua vida. Nosso coração, marcado pela pressa humana, tem sempre a tendência de se deixar levar pelos impulsos, não sendo capaz de esperar a ação que o Senhor quer realizar em nossa vida. Logo na primeira dificuldade que surge, nos desesperamos e, assim, nos afastamos da amizade com Deus.
Um caminho que ainda carecemos de exercitar em nossa jornada neste mundo é o da confiança n’Aquele que nos chama para estar com Ele. Corremos o risco de querer aplicar à nossa relação com Deus a mesma pressa que temos quando nos relacionamos com os outros. Se mandamos uma mensagem para um amigo, se ligamos, se pedimos algo a alguém, queremos logo ser atendidos. Com Deus não deve ser assim. Temos que saber esperar o momento certo para que Ele aja em nossa vida, respeitando os processos e reconhecendo que tudo o que Ele nos permite viver é para o nosso crescimento.
É essa paciência que faz com que os mártires, como os que celebramos hoje, se tornem capazes de permanecer fiéis mesmo em meio às perseguições. Aquele que coloca toda a sua confiança no Senhor, que se permite ser guiado por Ele, que se deixa envolver pelos laços de seu amor, torna-se capaz de dar um testemunho coerente da fé. Desta forma, precisamos ter diante dos nossos olhos o chamado que Deus tem para nós: sermos suas testemunhas fiéis, capazes de atrair mais pessoas para Cristo, vencendo, assim, o indiferentismo que paira em nossa sociedade, para que a mensagem do Evangelho não se torne como que palavras vazias lançadas ao vento.
Foi esse testemunho fiel que fez com que os setenta e dois discípulos voltassem alegres pelos resultados obtidos na missão para a qual o Mestre os havia enviado. A lógica missionária proposta pelo Reino não se apega ao número de conversões, milagres ou prodígios que podemos realizar em nome de Cristo. O nosso agir missionário se alegra, sim, quando podemos suscitar no coração das pessoas a capacidade de se enamorarem verdadeiramente por Cristo, para que, assim, todos possam ver e acolher a salvação que Ele nos deseja conceder.
Seminarista Rômulo Ribeiro