“Senhor, quem vos seguir, terá a luz da vida”
Aqueles que desejam alcançar a vida eterna precisam permanecer unidos Àquele que é a fonte da verdadeira vida: Jesus Cristo. Se queremos ser verdadeiramente felizes e, um dia, contemplar as alegrias eternas do Céu, precisamos aprender a seguir o Mestre de perto, sem nos deixar desviar pelas tantas distrações que insistem em nos afastar daquilo que realmente importa. Diante da pessoa de Cristo, nosso coração deve arder de amor e permanecer desejoso de nunca se afastar dele, reconhecendo que somente em sua presença encontramos a plenitude da vida.
Entretanto, para permanecermos unidos ao Senhor, precisamos abandonar tudo aquilo que nos impede de acolher e viver os frutos do Espírito. São Paulo nos apresenta com clareza essa oposição ao destacar as obras da carne, que nos afastam de Deus e nos aprisionam a desejos e atitudes contrários à sua vontade. Assim, para caminharmos em direção ao fim último de nossa existência, que é a comunhão plena com Deus, somos chamados a nos libertar de tudo aquilo que nos escraviza e nos impede de viver a liberdade dos filhos e filhas de Deus.
Nesse caminho, podemos recorrer aos ensinamentos dos santos, que nos ajudam a discernir a vontade do Senhor em nossa vida. Santo Inácio de Loyola, por exemplo, nos ensina a importância do discernimento dos espíritos, para que não nos deixemos enganar por aquilo que, embora pareça bom à primeira vista, pode nos afastar de Deus. Seu ensinamento nos convida a examinar os movimentos do nosso coração, procurando reconhecer aquilo que nos aproxima do Senhor e aquilo que nos conduz para longe dele. Esse discernimento, porém, exige maturidade espiritual, oração e atenção à Palavra de Deus, pois nem toda inquietação significa a ação do mau espírito, assim como nem toda sensação de paz é, por si só, sinal de que estamos seguindo a vontade divina.
Esses critérios encontram luz nos ensinamentos da Sagrada Escritura. No Evangelho de hoje, Jesus nos apresenta atitudes que não correspondem à vontade de Deus e que precisam ser revistas por aqueles que desejam viver uma fé autêntica. O Mestre é firme ao repreender os fariseus, que se apegam às práticas religiosas exteriores, preocupam-se com as aparências e impõem pesados fardos aos outros, sem demonstrar a mesma disposição para viver aquilo que ensinam. Essa postura revela uma religiosidade vazia, que conserva os sinais exteriores da fé, mas se distancia do amor, da justiça e da misericórdia. Uma vivência assim não corresponde àquilo que o Senhor espera de nós, pois a verdadeira fé precisa transformar nosso coração e se manifestar concretamente em nossas atitudes.
Por isso, diante da Liturgia da Palavra de hoje, somos convidados a fazer um sincero exame de consciência: minhas atitudes têm sido guiadas pelos frutos do Espírito ou tenho permitido que os valores do mundo conduzam minhas escolhas? Não podemos reduzir nossa vivência de fé a práticas religiosas vazias, nas quais nos mostramos piedosos e dedicados, mas deixamos de assumir o compromisso de viver o Evangelho no cotidiano. Mais do que cumprir preceitos ou preservar aparências, precisamos permitir que Cristo transforme nosso interior, tornando-nos pessoas mais humildes, misericordiosas e comprometidas com o bem.
Que o Senhor nos conceda a graça de permanecermos unidos a Ele, com um coração atento à ação do Espírito Santo e disposto a abandonar tudo aquilo que nos afasta de sua presença. Que nossa fé não seja apenas professada com os lábios, mas testemunhada por meio de nossas escolhas, de nossas palavras e de nossas obras. Assim, seguindo os passos de Jesus e vivendo uma fé coerente com o Evangelho, caminharemos com perseverança rumo à vida eterna.
Seminarista Rômulo Ribeiro