“Nós fomos predestinados a ser, para o louvor de sua glória, os que de antemão puseram a sua esperança em Cristo”.
A esperança de quem é cristão não pode estar em nenhuma outra realidade ou pessoa que não seja Cristo, o Mestre da Vida, que sustenta a nossa existência e nos fortalece para que não sucumbamos diante das batalhas próprias da vida. Seríamos muito mais vulneráveis se não fôssemos capazes de manter o nosso olhar fixo na pessoa do Mestre, pois todas as outras realidades nas quais depositamos nossa esperança neste mundo possuem um caráter passageiro. Somente Cristo é capaz de nos conduzir à plenitude da vida, pois nele encontramos a segurança de que necessitamos para prosseguir, mesmo em meio às dificuldades.
Como é triste perceber que, no mundo atual, tantas pessoas perderam o foco naquilo que realmente importa! Prevalece em nossa cultura uma tendência à criação de ídolos que atendem aos nossos desejos, satisfazem o nosso ego e alimentam nossas pretensões pessoais. Essa realidade representa um grande perigo para a humanidade, pois contribui para um processo crescente de desumanização, no qual as pessoas se tornam meros instrumentos nas mãos dos poderosos, que as manipulam de acordo com os próprios interesses.
Aqueles que cedem à tentação de criar para si mesmos falsos ídolos correm o risco de perder a liberdade dos filhos de Deus, tornando-se submissos às determinações daqueles que, muitas vezes, colocam em risco o bem-estar humano e a dignidade da vida. Nesse sentido, Jesus é bastante categórico no Evangelho de hoje ao nos advertir: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia”. Essa advertência do Mestre lança luzes sobre diversas realidades que acompanhamos em nossa sociedade, na qual muitas pessoas proferem discursos inflamados e aparentemente belos, mas vazios de sentido e de compromisso com aquilo que realmente importa: a promoção da vida e a defesa da dignidade humana.
Quem opta por um discurso hipócrita, que exteriormente se apresenta como belo e convincente, mas que, no íntimo, não corresponde às próprias atitudes, precisa estar atento e buscar, com urgência, uma mudança de rumo em sua vida. Afinal, não basta falar de coisas boas; é preciso transformar as palavras em gestos concretos de amor, justiça e solidariedade. Quando chegar o momento de prestar contas a Deus de nossa caminhada neste mundo, que não nos apresentemos de mãos vazias, mas com uma vida marcada pelo compromisso com o Evangelho e pelo bem que fomos capazes de realizar em favor de nossos irmãos e irmãs.
Não podemos nos deixar seduzir pelos valores passageiros deste mundo, tampouco viver em função da necessidade de sermos aceitos por determinados grupos. Nossa verdadeira esperança está em Cristo, e é para a comunhão eterna com Deus que caminhamos. Por isso, precisamos rejeitar tudo aquilo que nos afasta desse projeto e nos impede de viver a liberdade e a dignidade próprias dos filhos de Deus.
Nunca nos esqueçamos de que o nosso valor é inestimável aos olhos do Senhor! Ele conhece o nosso coração, contempla nossas necessidades e não permanece indiferente aos nossos sofrimentos. Que essa certeza nos ajude a manter os olhos fixos em Cristo, a rejeitar toda forma de hipocrisia e a testemunhar, por meio de nossas atitudes, a esperança que professamos com os lábios. Assim, nossa vida será verdadeiramente um louvor à glória de Deus e um sinal concreto de seu amor no mundo.
Seminarista Rômulo Ribeiro