“Chamei-te pelo nome!” Como é suave escutar essa Palavra que sai da boca de Deus por meio do profeta Isaías! Deus nos elege, nos chama pelo nome e nos fortalece em nosso agir, para que reconheçamos que, fora dele, não há nenhum outro Deus, nenhum outro salvador.
A primeira leitura nos ajuda a perceber o grande valor de nos sentirmos amados pelo Senhor, que nos toma pela mão e nos conduz a uma vida nova. Ser eleito por Deus não é apenas um privilégio, mas uma missão: somos chamados a amar, servir e cuidar de toda a sua obra criada, sendo promotores da paz, da justiça e da fraternidade. Precisamos, portanto, assumir um compromisso concreto com o projeto de Deus, sem nos afastarmos de sua vontade para nós.
Vivemos em uma sociedade fragilizada, carente de referências confiáveis e vulnerável diante de caminhos que tantas vezes nos conduzem à frustração. Corremos o risco de depositar nossa esperança em pessoas que julgamos capazes de transformar a realidade. Entretanto, com o passar do tempo, percebemos que apenas os atores mudam, enquanto muitas situações difíceis permanecem sem solução. Isso acontece porque nenhum ser humano é capaz de ocupar o lugar de Deus ou realizar aquilo que somente a ele compete. Por isso, precisamos desenvolver nossa capacidade de discernimento, reconhecendo a sabedoria que vem do alto e distinguindo-a dos projetos de poder mundano que, muitas vezes, submetem os pequeninos ao domínio dos poderosos.
É isso que Jesus nos ensina no Evangelho de hoje. Os fariseus e os herodianos aproximam-se dele com elogios e falsas intenções, buscando colocá-lo em uma situação desconfortável. Contudo, Jesus não se deixa seduzir pelas bajulações nem se deixa dominar pela vaidade. Sua resposta revela uma grande catequese: a César deve ser dado o que lhe pertence, mas a adoração é devida somente a Deus. Nenhuma criatura pode ocupar o lugar que pertence exclusivamente ao Senhor.
Quantas vezes perdemos essa verdade de vista! Colocamos pessoas, ideologias e pensamentos em altares, deixando de escutar a voz de Deus, como se pudéssemos colocá-lo de lado para seguirmos nossos próprios interesses. Quando agimos assim, abrimos mão do auxílio divino, que nos ajuda a superar as confusões que o mundo coloca em nosso coração. Podemos admirar as pessoas, reconhecer suas virtudes e valorizar suas boas obras, mas nunca devemos idolatrá-las, pois todo bem verdadeiro encontra sua fonte em Deus.
Precisamos também cultivar um senso crítico que nos impeça de nos apegarmos ao erro e de fecharmos os olhos diante do mal praticado por aqueles que, por vezes, idolatramos. Somente Deus é o sumo bem; somente a ele devemos toda adoração. É nele que encontramos a verdadeira salvação, a libertação e a vida.
Quando tomarmos consciência de nossa eleição divina, seremos capazes de vencer as divisões que ferem nossa sociedade e impedem a vivência da fraternidade. Deus nos escolheu para si, não para vivermos como inimigos uns dos outros, mas para testemunharmos seu amor em um mundo marcado por tantas discórdias.
Por isso, se queremos ser verdadeiramente reconhecidos como discípulos do Senhor, esforcemo-nos para viver na caridade e na firmeza da esperança, como a comunidade dos tessalonicenses, elogiada por São Paulo na segunda leitura de hoje. Não nos deixemos empolgar pelas lutas e divisões deste mundo, pois fomos escolhidos e eleitos por Deus não para alimentar rivalidades, mas para sermos construtores do amor, da justiça e da paz.
Seminarista Rômulo Ribeiro