Na liturgia da Palavra de hoje, somos convidados a compreender que a nossa vida não se resume a este mundo e que a bondade de Deus ultrapassa os limites da compreensão humana. Essa realidade torna-se clara quando percebemos o quanto somos amados, pois a nossa salvação foi alcançada por meio do sacrifício redentor de Jesus Cristo, o Verbo encarnado que veio habitar entre nós.
Atentos ao que nos diz São Paulo na leitura de hoje, percebemos que a situação da humanidade era bastante desfavorável por causa dos pecados cometidos. Todavia, conforta-nos saber que Deus não ficou indiferente à dor e ao sofrimento dos homens e mulheres deste mundo e, por isso, enviou o seu Filho para nos salvar. Essa salvação não acontece segundo os moldes humanos, movidos por uma lógica meritocrática que premia quem fez mais ou quem tem mais a oferecer. O movimento redentor de Cristo é oferecido a nós como um dom gratuito, fruto do amor e da misericórdia de Deus.
Uma só coisa nos é pedida: que acolhamos essa proposta de vida ensinada pelo Mestre e a ela possamos aderir de coração sincero. Esse caminho consiste em reconhecermos a nossa própria pequenez e a nossa necessidade da graça divina, avançando em direção à salvação sem perdermos de vista o tesouro que nos aguarda no céu. Na maioria das vezes, corremos o risco de viver dois extremos em nossa espiritualidade: uma espiritualidade excessivamente encarnada, que chega a assumir traços mundanos, ou um espiritualismo que não se compromete com a realidade concreta da vida.
É preciso, portanto, estarmos atentos para que o nosso caminhar neste mundo não se desvincule da realidade presente e das responsabilidades próprias da nossa existência. Ao mesmo tempo, não podemos tirar os olhos da vida eterna que nos aguarda no céu. O nosso tesouro não se resume a este contexto finito que nos cerca; tudo aquilo que possuímos e vivemos aqui deve servir como instrumento para o nosso crescimento espiritual e para alcançarmos a santidade à qual Deus nos chama.
Não podemos cometer a mesma insensatez do homem relatado por Jesus no Evangelho. Apegar-se às coisas deste mundo e depositar a nossa segurança nas conquistas que alcançamos ao longo da vida pode se tornar uma grande perdição. Afinal, como sabemos, tudo nesta vida passa, tudo tem um caráter provisório, menos o amor, a bondade e a misericórdia de Deus, que permanecem para sempre.
Quando tomamos consciência dessa realidade, compreendemos que a maior riqueza que podemos acumular em nossa existência não está nos bens que possuímos, mas na relação que construímos com o Senhor e na maneira como colocamos a nossa vida a serviço do seu Reino. Assim, aprenderemos que a verdadeira felicidade não consiste em acumular riquezas para nós mesmos, mas em viver na presença de Deus, colocando nele a nossa esperança e servindo-o com amor e alegria, como nos recorda o salmista: “Servi ao Senhor com alegria!”
Seminarista Rômulo Ribeiro