A liturgia da Palavra de hoje nos ajuda a reconhecer em Jesus Cristo o principal mediador entre Deus e os homens. Por meio de sua missão redentora, recebemos a possibilidade de nos aproximarmos de Deus com toda confiança. O Senhor Jesus nos abre as portas do céu e nos conduz ao encontro do Pai, preparando, por meio de seu sacrifício na cruz, o caminho para nós, que peregrinamos nesta terra.
Essa mesma oferta de salvação é destinada também àqueles que ainda não conhecem ou não creem em Jesus Cristo. Como nos diz São Paulo: “Os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho”. Assim, compreendemos que a presença de Cristo no mundo não se destina a um grupo restrito, separado dos demais, mas se dirige a todos os povos, pois o amor de Deus não conhece fronteiras e sua graça é oferecida a toda a humanidade.
E nós, como católicos, discípulos e discípulas do Mestre, somos chamados a fazer com que essa verdade seja anunciada a todos, para que os diferentes povos possam sentir-se verdadeiramente amados pelo Senhor e atraídos a experimentar sua graça. Não somos donos da mensagem do Evangelho, mas recebemos a missão de anunciá-la ao mundo. Essa mensagem nos foi transmitida pelo testemunho da Igreja, edificada sobre o alicerce dos Apóstolos, e, por essa razão, precisamos também testemunhar essa grande dádiva aos nossos irmãos. A todos devemos anunciar aquilo que constitui o refrão do salmo de hoje: “Com alegria bebereis do manancial da salvação”.
Somos chamados a ser administradores da mensagem de salvação que Cristo nos confiou. O Mestre nos entrega um grande tesouro, que não podemos guardar egoisticamente apenas para nós, mas que devemos fazer frutificar em favor dos irmãos com os quais convivemos. Afinal, o Senhor nos confiou essa missão para que, por meio de nossas palavras e atitudes, sua graça alcance outras vidas. Quando Ele vier, pedirá contas da maneira como administramos os dons recebidos e dos frutos que produzimos por meio deles.
Essa realidade não deve nos causar medo, mas impulsionar-nos a alargar o coração, vencendo o fechamento em nós mesmos e tornando-nos verdadeiros arautos da bondade de Deus no mundo em que vivemos. Que a Palavra que ouvimos hoje nos ensine a ser administradores dignos da confiança do Divino Mestre, para que, permanecendo fiéis à missão que nos foi confiada, possamos produzir frutos de amor, acolhida e salvação na vida de nossos irmãos.
Seminarista Rômulo Ribeiro