A Igreja nos convida a celebrar hoje a memória de São João Paulo II, que foi Papa em um período recente de nossa história, o que nos permite conservar uma recordação viva de sua presença à frente da Igreja. O santo que hoje celebramos deixou-nos um testemunho que sempre nos convida à vivência do amor concreto no cotidiano de nossa vida. Uma de suas frases mais conhecidas, que expressa bem essa realidade, é: “O amor explicou tudo”.
Essa máxima proferida por São João Paulo II nos mostra que o amor é a chave de leitura para um agir cristão coerente com os valores do Evangelho. Fomos amados por Deus, que nos enviou seu Filho para que todos pudessem alcançar a salvação por Ele oferecida. Esse amor, como nos diz São Paulo na leitura de hoje, ultrapassa todo conhecimento, não se mede pelos limites humanos, mas transborda por toda a face da terra. Conscientes dessa realidade, e novamente citando São João Paulo II, busquemos escancarar as portas do nosso coração a Cristo, de modo que sua presença nos transforme cada vez mais em pessoas capazes de amar e servir, a exemplo Dele.
Mas, diante do Evangelho de hoje, poderíamos nos perguntar: se Deus quer que nos amemos e se o seu amor ultrapassa todos os limites humanos, como explicar a pergunta e, ao mesmo tempo, a resposta de Jesus: “Vós pensais que eu vim trazer paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão”? Essa afirmação do Mestre é inquietante, pois, para um leitor desavisado, pode causar certa confusão. Isso porque, na liturgia de terça-feira, Paulo nos apresentava Jesus como princípio de unidade, enquanto agora o próprio Senhor fala de divisão.
Todavia, essa realidade não deve nos inquietar além do necessário. A divisão da qual Jesus fala, colocada às claras, podemos dizer que está relacionada à capacidade de acolhermos ou não a sua Palavra. Quando recebemos o anúncio do Evangelho, somos chamados a tomar uma posição diante dele. É impossível permanecer indiferente a uma Palavra que nos desinstala e nos convida à conversão. Quem a acolhe torna-se próximo, amigo e seguidor de Jesus; mas quem não é capaz de abraçar esse grande dom acaba se opondo à sua proposta, gerando divisões no mundo. Não se trata, portanto, de Jesus desejar a divisão, mas de reconhecer que a adesão à sua Palavra pode provocar conflitos, inclusive entre aqueles que nos são mais próximos.
Assim, precisamos nos perguntar: de que lado queremos estar? Queremos caminhar verdadeiramente com Jesus ou preferimos aderir à proposta do mundo? Não basta respondermos genericamente que queremos estar do lado do Senhor se não nos comprometemos com sua proposta e com os valores contidos em seu Evangelho. Precisamos ir além das palavras e transformar nossa fé em atitudes concretas. Contudo, somente com a sua graça seremos capazes de realizar esse movimento, pois, confiando apenas em nossas próprias forças, não conseguiremos ir muito longe. Que São João Paulo II interceda por nós e nos ajude a abrir as portas do nosso coração a Cristo, para que, transformados pelo seu amor, sejamos capazes de testemunhar o Evangelho em todas as circunstâncias de nossa vida.
Seminarista Rômulo Ribeiro