“Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”.
Essa exortação que São Paulo nos faz na leitura de hoje sintetiza o modo de agir daqueles que são chamados a ser discípulos de Jesus Cristo. A vocação à qual somos chamados pelo Senhor é a de oferecer suporte a tantos irmãos e irmãs que necessitam receber o respiro que vem do amor, derramado em nossos corações. Somos chamados a ser presença acolhedora na vida daqueles que, muitas vezes, encontram-se cansados pelas dificuldades da caminhada e necessitam de alguém que lhes estenda a mão e lhes devolva a esperança.
Somos servidores do Deus da vida, que chama a todos para viver na unidade do amor e da paz, repelindo toda e qualquer divisão que possa comprometer a construção de um caminho no qual Deus reine verdadeiramente em nossos corações. Os dons, os carismas e a própria vida que recebemos não podem ser guardados a sete chaves, como se fossem propriedades exclusivamente nossas. Pelo contrário, devemos colocá-los à disposição da missão que o Senhor, em sua infinita bondade, nos confia. Afinal, tudo aquilo que recebemos de Deus encontra seu verdadeiro sentido quando se transforma em serviço e em instrumento de amor na vida de nossos irmãos.
Nosso agir deve demonstrar a disposição de não sermos indiferentes aos sinais dos tempos, como nos alerta o Evangelho de hoje. Existem muitas situações que precisam da nossa atenção, dedicação e cuidado, para que sejam iluminadas pela força que brota do coração amoroso de Jesus. Se optarmos por uma postura de indiferença, deixando de nos comprometer com aquilo que não vai bem em nossa sociedade, teremos de prestar contas de nossas escolhas. Isso porque somos filhos de uma Igreja que nos oferece diversos elementos para discernir a vontade de Deus em cada tempo e circunstância. Não podemos, portanto, permanecer apáticos diante da história e das realidades que clamam por nossa presença e pelo nosso compromisso cristão.
Nossa geração precisa ser reconhecida por buscar a face do Senhor. Não apenas por meio de palavras ou de práticas vazias de sentido, mas com um coração verdadeiramente disposto, sedento de permanecer em sua presença e de realizar, em tudo, a sua santa vontade. Buscar a Deus significa também aprender a reconhecer sua presença na vida dos irmãos, sobretudo daqueles que mais necessitam de acolhimento, cuidado e solidariedade. Que Deus nos ajude a cultivar, em nossa vida cristã, atitudes que tornem visíveis a bondade e o amor que brotam de seu coração divino, para que, unidos pelo vínculo da paz, sejamos instrumentos de sua presença e de sua graça no mundo.
Seminarista Rômulo Ribeiro