- Na primeira leitura, Paulo lembra aos Tessalonicenses as dificuldades que encontrou para lhes anunciar o Evangelho. Como era seu costume, o Apóstolo começou por ir à sinagoga anunciar a Boa-Nova de Cristo. Alguns judeus acolheram a fé. Mas outros montaram contra ele e contra Silas, seu companheiro, um motim, agindo com fúria. Depois, o Apóstolo lembra a sinceridade e a honestidade com que anunciou o Evangelho. Havia muitos que se apresentavam "em nome da verdade", a anunciar que o fim estava próximo, e a propor um qualquer caminho de salvação. Paulo se mostra diferente desses pseudoprofetas: “a nossa exortação não se inspirava nem no erro, nem na má fé, nem no engano” (v. 3). Manifesta afeto pelos Tessalonicenses, mas pretende, sobretudo, agradar a Deus: “Falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus” (v. 4). O Apóstolo tem por modelo Cristo, e Cristo crucificado. Por isso, entrega-se a si mesmo ao ministério que lhe foi confiado, ao serviço da comunidade, sem nada reservar para si. Está disposto, inclusive, a dar a vida por aqueles que ama. São belos exemplos e estímulos que Paulo nos oferece, para vivermos, à luz do batismo, nossa missão de Evangelizar, viver o discipulado missionário.
- No Evangelho, vemos que a religião é uma questão de interioridade, de coração, na relação com Deus e com o próximo. Se assim não for, converte-se em algo que esmaga e asfixia, que escraviza o ser humano. Por isso, Jesus pronuncia mais dois “Ai de vós” contra o legalismo exterior dos doutores da lei e dos fariseus e escribas, que os leva a desprezar o essencial da lei: “a justiça, a misericórdia e a fidelidade!” (v. 23). Também estes são “guias cegos” que se perdem em formalidades: “filtrais um mosquito e engolis um camelo!” (v. 24), diz Jesus. Eles esquecem que, o mais importante, é ter o “coração puro”: “limpais o exterior do copo e do prato, quando por dentro estão cheios de rapina e de iniquidade!” (v. 25). Só a pureza do coração permite ver a Deus (Mt 5, 8).
- Para refletir: Empenho-me em agradar a Deus ou aos homens? Desanimo em meio às dificuldades enfrentadas ou sou perseverante em levar avante a missão que me foi confiada? Vivo minha fé com senso de justiça, misericórdia e fidelidade? Meu coração é puro ou cheio de maldade, praticando a iniquidade? Diante desta Palavra, o que Deus me pede? ...
Oração
Pai santo,
dá-me um coração semelhante ao de Paulo,
um coração semelhante ao de Cristo,
um coração que saiba unir a santidade e a caridade.
Dá-me integridade pessoal,
a perfeita pureza de intenção,
a ausência de manobras ambíguas,
para que possa caminhar na santidade
e empenhar-me, com todo o meu afeto,
no serviço dos irmãos e irmãs.
Que todos, na Igreja, possamos compreender
que a santidade não reduz o coração,
mas o expande e lhe permite dar tudo
para testemunhar a caridade de Cristo.
Amém.
- Para hoje: Em tudo, buscar agradar a Deus: “Falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus” (1 Ts 2, 4).
Pe. Marcelo Moreira Santiago