A Liturgia da Palavra do dia 27 de janeiro de 2026 nos convida a refletir sobre a verdadeira liderança, a presença de Deus no meio do seu povo e, sobretudo, sobre o que significa pertencer, de fato, à família de Jesus.
Na primeira leitura, acompanhamos um momento importante da história de Israel: o transporte da Arca da Aliança para Jerusalém. Mais do que um simples relato histórico, o texto revela a profunda piedade do povo e, especialmente, do rei Davi. Ele não age como um governante preocupado apenas com questões políticas ou militares. Davi compreende que sua missão é espiritual: o verdadeiro Rei de Israel é o Senhor, e ele é apenas servidor desse reinado.
Ao conduzir a Arca com respeito, alegria e reverência, Davi demonstra que a liderança autêntica nasce da humildade e da consciência de que Deus deve ocupar o centro da vida do povo. Seu gesto nos ensina que toda autoridade, na comunidade de fé, é serviço. Quem guia o povo precisa, antes de tudo, deixar-se guiar por Deus.
O Salmo continua essa reflexão, recordando a missão do rei e celebrando a presença do Senhor no meio do seu povo. A verdadeira segurança de Israel não está no poder humano, mas na fidelidade a Deus que caminha com seus filhos. Também hoje somos chamados a reconhecer que é Ele quem sustenta nossa história e conduz nossa comunidade.
No Evangelho, Jesus aprofunda ainda mais essa compreensão ao falar sobre a relação que devemos ter com Ele. Quando lhe dizem que sua mãe e seus parentes o procuram, Jesus responde com uma afirmação surpreendente: “Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.”
Com isso, o Senhor não desvaloriza sua família, mas amplia o significado de pertença. Fazer parte da família de sangue não significa, automaticamente, compreender o coração de Deus ou viver segundo sua vontade. A verdadeira proximidade com Jesus não nasce de laços externos ou privilégios, mas da escuta e da prática da Palavra.
Essa mensagem continua muito atual para nós. Às vezes, podemos cair na tentação de buscar vantagens por causa de alguma proximidade, amizade ou função dentro da Igreja — seja com o padre, com o bispo ou com alguma liderança. Mas, no Reino de Deus, não há privilégios. O que nos torna próximos de Jesus é o compromisso sincero de viver como discípulos, fazendo a vontade do Pai no amor e no serviço.
A liturgia de hoje, portanto, nos convida a rever nosso lugar na comunidade. Somos chamados não a ocupar posições, mas a construir relações; não a buscar reconhecimento, mas a servir com humildade. Assim como Davi colocou Deus no centro e como os verdadeiros discípulos escutam e praticam a Palavra, também nós queremos pertencer à grande família de Jesus.
Que peçamos ao Senhor a graça de sermos menos preocupados com títulos ou aparências e mais comprometidos com a fidelidade ao Evangelho. Pois é assim, vivendo a vontade de Deus, que nos tornamos verdadeiramente seus irmãos e irmãs.
Pe. Thiago José Gomes