A liturgia de hoje nos coloca diante de dois modos muito diferentes de viver a relação com Deus. Na primeira leitura, Davi aparece como alguém que reconhece que tudo vem do Senhor. Suas vitórias, sua força e até sua realeza não nascem do orgulho, mas de um coração que sabe louvar. Davi erra, cai, mas não deixa de voltar-se para Deus com gratidão. Sua vida nos lembra que a verdadeira grandeza não está no poder que conquistamos, mas na capacidade de reconhecer quem nos sustenta.
O Evangelho, porém, nos mostra o contraste: Herodes conhece a verdade, escuta João Batista, sente até admiração por ele, mas não tem coragem de mudar de vida. Preso às aparências, ao medo do julgamento dos outros e aos próprios desejos desordenados, acaba cometendo uma injustiça irreparável. João Batista, ao contrário, permanece fiel à verdade até o fim, mesmo sabendo que isso lhe custaria a vida. Aqui a Palavra nos provoca: não basta ouvir a verdade; é preciso deixar-se transformar por ela.
Entre Davi e Herodes, a liturgia nos convida a escolher qual caminho queremos trilhar. Um coração que louva, confia e se converte, ou um coração dividido, que sabe o que é certo, mas não tem coragem de viver. A fidelidade a Deus passa, muitas vezes, pelo silêncio das escolhas diárias, pela coerência entre fé e vida, e pela coragem de permanecer firmes mesmo quando isso nos custa algo.
Perguntas para a oração:
1. Tenho reconhecido a presença e a ação de Deus na minha história, como Davi, ou tenho vivido apoiado apenas em minhas próprias forças?
2. Em que situações tenho agido como Herodes, sabendo o que é certo, mas adiando ou evitando uma conversão concreta?
A Palavra de hoje nos chama a um coração inteiro, não dividido. Louvar a Deus não é apenas cantar ou rezar, mas viver com coerência, permitindo que a verdade transforme nossas escolhas. Seguir o Senhor é optar, todos os dias, pela fidelidade, mesmo quando ela exige renúncia e coragem.
Celebramos hoje a memória de São Paulo Miki e seus companheiros mártires, vemos um testemunho vivo do Evangelho proclamado. Eles escolheram a fidelidade a Cristo acima do medo e da morte, proclamando a fé até o último suspiro. Sua vida e martírio nos recordam que a fé cristã não é apenas uma ideia, mas uma entrega total, sustentada pela esperança e pelo amor que não se deixam calar.
Seminarista Mirosmar Gonçalves.
Primeira-sexta feira do mês, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.
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