A Palavra de Deus de hoje nos coloca diante de dois movimentos do coração humano: o desvio silencioso da fidelidade e a fé humilde que persevera. Na primeira leitura, Salomão, que havia recebido de Deus sabedoria e bênção, deixa que seu coração se divida. O afastamento não acontece de uma vez, mas aos poucos, quase sem perceber. Outros deuses vão ocupando espaço, e a Aliança deixa de ser o centro. Ainda assim, Deus permanece fiel: por amor a Davi, não destrói tudo. Mesmo quando o ser humano falha, a misericórdia de Deus insiste em manter aberta uma possibilidade de recomeço.
O salmo reconhece essa fragilidade do povo, que se misturou com costumes estranhos e se deixou enredar por ídolos. Ao mesmo tempo, transforma a dor em súplica: “Lembrai-vos de mim, Senhor”. É o grito de quem sabe que só Deus pode resgatar o coração quando ele se perde.
No Evangelho, a mulher nos surpreende com uma fé simples e ousada. Ela não pertence ao povo eleito, mas acredita que a misericórdia de Jesus é maior do que qualquer fronteira. Sua humildade não a diminui; ao contrário, abre espaço para o milagre. Onde o coração é sincero e confiante, Deus age.
Essa Palavra nos convida a vigiar o coração para que ele não se divida e, ao mesmo tempo, a confiar que a misericórdia de Deus alcança até os lugares onde pensamos não ter direito algum.
Para a reflexão pessoal:
1. À semelhança de Salomão, que realidades, pessoas ou “ídolos” podem estar, pouco a pouco, desviando o meu coração de uma fidelidade inteira ao Senhor?
2. Como a mulher apresentada no Evangelho, tenho a humildade e a perseverança de confiar na misericórdia de Jesus, mesmo quando tudo parece distante ou quando não sou imediatamente compreendido?
Deus nos guarde em nossa caminhada rumo à eternidade, a fim de que um dia possamos contemplá-lo face a face!
Seminarista Mirosmar Gonçalves.