A Palavra de hoje nos fala de ruptura, escuta e cura. Na primeira leitura, o Reino se divide. O gesto simbólico do profeta Aías, rasgando o manto, revela que a divisão não nasce apenas de decisões políticas, mas de um coração que deixou de escutar a Deus. A infidelidade gera fratura, quebra a comunhão e enfraquece o povo. Ainda assim, Deus preserva uma promessa por amor a Davi, mostrando que sua fidelidade é maior que as divisões humanas.
O salmo faz eco a esse drama interior: “Meu povo não ouviu a minha voz”. O maior sofrimento de Deus não é a desobediência em si, mas a surdez do coração. Quando o povo não escuta, acaba seguindo seus próprios caprichos e se perde. O lamento de Deus revela seu desejo profundo: que o povo escute, caminhe e viva.
No Evangelho, Jesus encontra um homem surdo e com dificuldade de falar. Ele o retira da multidão, toca seus ouvidos e sua língua, e pronuncia a palavra decisiva: “Efatá! Abre-te!”. Não é apenas uma cura física, mas um sinal do que Deus deseja realizar em cada um de nós: abrir nossos ouvidos para ouvir sua Palavra e soltar nossa língua para anunciar o bem.
Onde há escuta verdadeira, nasce a comunhão; onde Deus é acolhido, a vida se recompõe. Jesus continua dizendo ao nosso coração: abre-te.
Para a reflexão pessoal:
1. Em que situações tenho me fechado à escuta de Deus, permitindo que isso gere divisões interiores ou rupturas nas minhas relações?
2. Que surdez ou medo Jesus precisa tocar em mim hoje, para que eu volte a ouvir sua Palavra e testemunhar o bem que Ele realiza?
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminarista Mirosmar Gonçalves