RETIRO QUARESMAL ONLINE
DIA 3 DE ABRIL
SEXTA-FEIRA SANTA
Celebração da Paixão e Morte de Jesus
“Obediente até a morte de cruz”
(Fl 2,8-9)
Leituras: Is 52,13-53,12: Sl 30; Hb ,14-16,5,7-9; Jo 1,18,1-19,42.
PEDIR A GRAÇA DA SEMANA
Senhor, ajuda-me a te acompanhar fielmente em tua dor
e em tua alegria. Amém.
INTRODUÇÃO
- É chegada a hora da escuridão e crucifixão. A imagem é desoladora.
- Chegou a hora de acompanharmos a paixão e morte do Senhor...
- Fiquemos com Ele neste dia.
- Contemplemos no crucificado as mortes do mundo.
- Entremos nesta cena de dor e despojamento ao lado de Jesus, sentindo e acolhendo a sua dor, sua entrega para a nossa redenção e salvação do mundo todo.
- Não somos chamados a abandonar a cruz, mas colocar a nossa paixão e a paixão do mundo inteiro, diante do mistério da nossa salvação.
- Enxerguemos em sua cruz os nossos pecados, infidelidades e omissões...
- As nossas vaidades, egoísmos, luxos, excessos, ganâncias ... tornam mais pesada a cruz de Jesus, que se entrega também por todos nós.
- A cruz, sinal da maldade humana, é para nós, em Jesus Cristo, sinal de amor e de fidelidade.
- Deixemo-nos consolar pelo crucificado; olhemos para Ele, escutemos as suas últimas palavras de confiança no Pai: “em tuas mãos, entrego o meu espírito”, “tudo está consumado” ...
- Aí está a maior escola de vida ...
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO JOÃO 18,1-19,42
- Meditando a Palavra de Deus
- Na oração, comece por colocar-se na presença de Deus.
- Faça o Sinal da Cruz e pede a graça desta semana.
- Depois, leia o texto bíblico. Leia-o bem devagar e com atenção, repita se o desejar.
- Jesus foi crucificado numa sexta-feira, agravando a situação porque o sábado, dia festivo, não devia ser manchado com a presença de corpos mortos em lugares públicos.
- A morte dos crucificados era lenta. Quebrar-lhes as pernas acelerava a sua morte. Mas Jesus já estava morto. Então trespassaram-no com uma lança.
- João anota e realça o fato porque, para ele, manifesta Jesus como o cordeiro de Deus.
- O evangelista passa do campo histórico para o teológico. Jesus morre como verdadeiro cordeiro pascal.
- Por isso, o evangelista fixa a sua morte no mesmo momento em que, no Templo, eram sacrificados os cordeiros que, no dia seguinte, seriam comidos na ceia pascal.
- O sangue e água que jorram do lado aberto do Senhor são muito mais que um fato fisiológico.
- Eles simbolizam os grandes sacramentos da Igreja: o batismo e a eucaristia.
- Senhor Jesus, eis-me aqui, para viver convosco e em Vós. Não permitais que jamais me separe de vós e vos esqueça.
- Um dos soldados adiantou-se e abriu o lado de Jesus com uma lança.
- É um grande mistério da história sagrada, onde tudo é mistério e ação divina.
- A ferida exterior é aqui a revelação simbólica da ferida interior, a do amor.
- Ele deu a sua vida por todos nós...
- Rezando à luz da Palavra de Deus
- Jesus não se deixa mover pelo ódio, pela amargura e pelo desamor do mundo.
- Ele não caiu nas tentações sofridas no alto do Templo, no deserto. Foi fiel a vida inteira.
- Ele não optou por uma vida mágica e uma fé vazia de sentido para a sua vida.
- Amar é perigoso, nos compromete com o amado.
- Em Jesus está o nosso amor, o sentido da nossa vida e da nossa fé.
- Nas alegrias e tristezas, consideremos o quanto Jesus nos amou por primeiro.
Oração
"Senhor Jesus Cristo,
na cruz, entregaste Tua vida por nossa salvação,
e hoje nos unimos em adoração
e gratidão por Teu infinito amor.
Concede-nos a graça de compreender
a profundidade do Teu sofrimento,
de reconhecer nossos pecados
e de abrir nossos corações
ao Teu perdão.
Faz-nos firmes na fé, Senhor,
para que, mesmo diante das dificuldades da vida,
permaneçamos confiantes
na Tua misericórdia
e esperança na ressurreição.
Que a contemplação da Tua paixão
nos transforme, fortaleça nossa fé
e nos ensine a viver com amor e humildade,
servindo aos nossos irmãos e irmãs
como verdadeiros discípulos Teus.
Maria, Mãe dolorosa, intercede por nós
e ajuda-nos a permanecer unidos
ao teu Filho até o fim.
Amém.
Para refletir: Reconheço o infinito amor de Deus em Jesus que entrega a sua vida também por mim? A cruz sofrida pelos nossos irmãos e irmãs, nos caminhos da vida, me comove e me converte? Como vivo minha fé no seguimento de Jesus que deu a sua vida por mim? Em que a sexta-feira santa me ajuda a melhor viver o discipulado missionário, no seguimento de Jesus? ...
- Contemplando a Palavra de Deus
- A celebração da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo não é, lamentavelmente como pensam alguns, a teatralização de um velório transitório marcado por luto e pranto para favorecer um sentimentalismo artificial e estéril.
·A comunidade do Ressuscitado crê que Ele está vivo, por isso não se reúne para oficializar suas exéquias, mas para fazer memória da sua bem-aventurada e gloriosa Paixão, pois, caso contrário, estaria traindo o seu verdadeiro Senhor, o mesmo que morreu e ressuscitou.
- No cristianismo primitivo havia uma tendência a minimizar a Paixão e Morte de Jesus, com a desculpa de que Ele estava vivo.
·Por isso, o próprio São Paulo não se cansava de denunciar este perigo: “Sede meus imitadores... Pois há muitos dos quais muitas vezes eu vos disse e agora repito, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,17-18).
- Ter diante dos olhos a imagem do Cristo crucificado não é tendência masoquista, mas necessidade permanente de quem deseja conhecê-lo, amá-lo e dele se tornar uma testemunha no mundo: “Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24).
·O anúncio da vitória de Cristo perde a sua força se não for precedido pela memória da sua Paixão e Morte.
·Diante da tendência hodierna de um cristianismo light, soft e self-service, sem sacrifícios e abnegação amorosa, urge repetir o alerta de São Paulo: “Ó gálatas insensatos, quem vos fascinou, a vós ante cujos olhos foi desenhada a imagem de Jesus Cristo crucificado?” (Gl 3,1).
- Todos os evangelistas narram, a partir de suas respectivas teologias, a Paixão e Morte do Senhor.
·Contudo, para este dia, a Igreja escolheu a narração de João, que não nos transmite apenas um relato dos fatos em terceira pessoa, mas é ele mesmo a testemunha-contemplativa desse acontecimento: “Aquele que viu dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que diz a verdade, para que vós creiais”.
- Portanto, fazer memória da Paixão e Morte do Senhor é imprescindível para conhecer a sua verdade e dar testemunho dele, sermos de verdade seus discípulos amados.
·E o que viu João e deve ver todo cristão ao contemplar o mistério do sofrimento e da morte do seu Senhor?
1. A coragem de Jesus, que toma a defesa dos seus discípulos: “Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem”. Ele defende a nossa vida.
2. A fidelidade de Jesus ao Pai, apesar do iminente sofrimento: “Não vou beber o cálice que o Pai me deu?” Ele derramou seu sangue por nós.
3. A confiança de Jesus nos seus discípulos: “Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse”. Ele tem palavras de vida eterna.
4. A indignação de Jesus diante da injustiça: “Se respondi mal, mostra em quê; mas se falei bem por que me bates?” Ele nos ensina a lutar contra toda sujeição e opressão.
5. A verdade testemunhada por Jesus: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: dar testemunho da verdade. Quem é da verdade escuta a minha voz”. Ele nos torna verdadeiramente livres.
6. A filiação de Jesus repartida com os seus seguidores: “Mulher, este é o teu filho; Esta é tua mãe”. Ele não nos deixou órfãos.
7. A garantia de vida nova concedida pelo dom do Espírito de Jesus: “E, inclinando a cabeça, entregou o espirito”. Ele nos constitui povo da Nova Aliança derramando o seu espírito sobre nós.
- Naquela tarde de sexta-feira, no altar da cruz, e nesta sexta-feira de hoje, deparamo-nos com o ponto mais alto da revelação da verdade sobre Jesus.
·Não se evoca apenas o seu sofrimento e a sua morte, mas a sua encarnação, pois ele mesmo afirma diante de Pilatos para que veio ao mundo; na sua flagelação, o auge de todas as rejeições e perseguições sofridas ao longo do seu ministério; no seu grito: “Tenho sede”, a confirmação de toda a sua missão de matar a sede da humanidade: “Quem tiver sede, venha a mim e beba... De seu seio jorrarão rios de água viva” (Jo 7,38). Na entrega do seu Espírito, o anúncio do dom de sua ressurreição.
- A vitória de Jesus ressuscitado tem as marcas indeléveis do Cristo crucificado.
·Se as amarras da morte e a pedra do sepulcro não o aprisionaram na morte foi porque na cruz ele testemunhou sua liberdade soberana: “Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou livremente. Tenho o poder de entregá-la e poder de retomá-la” (Jo 10,18).
Importante:
- Agradeça a Deus a graça deste encontro e se reconheça profundamente amado por Ele...
- Renove os seus propósitos de seguir Jesus, que entrega a sua vida por você e por toda a humanidade, pedindo a Ele que irriga seus desertos, ilumine suas trevas ...
- Conclua a sua oração pedindo as luzes do Espírito Santo para a sua vida e pelos bons frutos que espera colher das celebrações deste Tríduo Solene Pascal ... Reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e dê glorias a Deus...
- Não deixe de participar das atos da Semana Santa em sua comunidade... Este é um tempo especial de graças e bênçãos de Deus para a vida de seu povo...
- Celebrando a sexta-feira santa da paixão e morte de Jesus, coloque em seu sepulcro as suas dores, sofrimentos e mortes. Sepulte toda a falta de esperança, desânimo e medo. Não permita que as trevas tenham a última palavra em sua vida...
- Hoje morreu nosso irmão no sacerdócio, padre da Arquidiocese de Mariana, Pe. Rodrigo Marcos, depois de anos lutando contra um câncer. Agradeça, em suas orações, sua vida e seu testemunho de fé e o recomende a Deus para a vida eterna. Dai-lhe, Senhor, o descanso eterno e brilhe para a luz perpétua!
- Faça, a seguir, as anotações espirituais...
“Olharão para aquele que transpassaram”
(Jo 19,37)
Pe. Marcelo Moreira Santiago