Vivendo as alegrias do tempo pascal, a liturgia da Palavra deste sábado nos chama a contemplar a atividade missionária de Paulo. O Apóstolo dirige-se ao povo judeu, buscando anunciar a mensagem do Ressuscitado, que venceu a morte na cruz. Entretanto, aqueles que deveriam ser os primeiros a receber o anúncio da Boa-Nova (cf. At 13,46) fecham-se em si mesmos e, movidos pela inveja, opõem-se à mensagem de Paulo.
A atitude dos judeus nos interpela, questionando-nos sobre a maneira como acolhemos a Palavra de Deus em nossa vida. É preciso ter claro que não basta apenas ouvirmos a mensagem de salvação; devemos acolhê-la em nossa vida, permitindo que ela transforme a nossa existência. Nossa vida, inserida na comunidade de fé, deve ser marcada pela constante abertura ao Evangelho. Aquilo que Jesus nos ensina por meio de sua Palavra deve tornar-se a regra de ação em nossa existência. Entristece-nos saber que existem pessoas que passam anos dentro da Igreja, mas não se deixam transformar pela graça de Deus.
Outro aspecto que deve nos chamar a atenção é a perseverança e o dinamismo de Paulo, que não desanima mesmo diante da oposição dos judeus. O Apóstolo poderia deixar-se levar pela frustração, que o impediria de prosseguir com sua missão. Mas, consciente de que a indiferença deste mundo não é capaz de conter o dinamismo do Espírito, ele passa a anunciar a Boa-Nova aos pagãos. Essa disposição de ir ao encontro daqueles que ainda não conheciam a fé fez com que muitos pudessem aderir a ela e, assim, abraçar a salvação que vem de Deus.
Paulo só encontrou a força para realizar esse movimento porque estava intimamente unido a Cristo. Por essa razão, pôde cumprir o desígnio divino: anunciar o Evangelho a todas as nações, levando a salvação até os confins da terra (cf. At 13,47).
Diante da cena que contemplamos na liturgia de hoje, percebemos a necessidade de voltar o nosso olhar para Cristo, buscando nele a nossa força. A resposta que damos a Deus não pode ser marcada pelo fechamento que nos impede de sermos movidos pela graça. A nós é pedido que sejamos capazes de escancarar o coração à ação de Deus, permitindo que Ele conduza a nossa vida. E, mesmo que não sejamos aceitos pelos destinatários de nossa missão, precisamos ter a coragem de, como Paulo, não desanimar e avançar para águas mais profundas.
É a fé em Cristo que nos forja na coragem de não pararmos diante das dificuldades e incompreensões deste mundo, mas que nos impulsiona a caminhar em busca do cumprimento de sua vontade. Como vemos no Evangelho de hoje, permanecendo em comunhão com o Senhor, realizaremos grandes obras em seu nome, sempre visando o bem dos irmãos e irmãs com os quais convivemos.
Peçamos a Deus a graça de, neste dia, inspirados no testemunho de São Paulo e de Santo Atanásio, cuja memória hoje celebramos, sermos pessoas verdadeiramente abertas à ação da graça, permitindo que ela nos transforme em autênticos arautos da alegria. Fujamos de uma postura marcada pelo desânimo, que nos paralisa e nos impede de sermos dóceis à ação do Espírito Santo, que dá vida à Igreja. Na busca por nos tornarmos seguidores corajosos de Cristo, façamos hoje o propósito de criar um vínculo de proximidade com Ele, procurando ter em nós os mesmos sentimentos de seu coração.
Em sua oração pessoal hoje, pergunte-se:
Como tenho lidado com as frustrações de minha vida? Tenho permanecido prostrado ou tenho buscado novas oportunidades de tornar o nome de Cristo mais amado e servido?
Seminarista Rômulo