Hoje celebramos a Festa da Transfiguração do Senhor. Trata-se de um dos momentos mais belos e consoladores do Evangelho. Nós cremos que o Filho de Deus assumiu verdadeiramente a nossa natureza humana. Jesus tornou-se semelhante a nós em tudo, exceto no pecado. Entretanto, no alto da montanha, diante de Pedro, Tiago e João, Ele deixa transparecer por alguns instantes a glória divina que sempre possuía.
Esta festa tem muito a dizer também neste Mês Vocacional. Toda vocação nasce de um encontro pessoal com Cristo. Antes de enviar alguém em missão, Deus o chama para estar com Ele. Foi isso que aconteceu com os apóstolos naquele monte. Jesus os convida para uma experiência de intimidade, de contemplação e de comunhão.
A primeira leitura, retirada do profeta Daniel, apresenta de forma simbólica e majestosa a glória daquele que recebe o poder e o domínio eterno. Já a segunda leitura traz o testemunho de São Pedro, que recorda ter visto com seus próprios olhos a majestade do Senhor. Não estamos diante de uma invenção humana, mas da experiência concreta daqueles que encontraram Cristo e reconheceram Nele o Filho de Deus.
O Evangelho nos mostra que Jesus sobe a montanha para rezar. A montanha, na Bíblia, é lugar privilegiado do encontro com Deus. Também nós somos chamados a fazer esse caminho. Subir exige esforço. Não existe vida espiritual sem dedicação. A oração diária, a participação na Eucaristia, a escuta da Palavra e a busca da santidade fazem parte dessa subida.
A tradição da Igreja sempre viu neste episódio uma imagem da própria liturgia. Quando participamos da Missa, somos convidados a encontrar Cristo glorioso. Muitas vezes olhamos apenas para os sinais externos e esquecemos a grandeza do mistério que celebramos. O mesmo Senhor que manifestou sua glória na montanha está presente na Palavra proclamada, na assembleia reunida e, de modo especial, na Eucaristia.
Pedro deseja permanecer naquele momento e exclama: "É bom estarmos aqui". Também nós precisamos aprender a saborear a presença de Deus. Vivemos correndo, distraídos e preocupados com tantas coisas. Porém, a fé nos convida a parar, contemplar e deixar que Deus transforme nosso coração.
A voz do Pai ressoa sobre os discípulos: "Este é o meu Filho amado; escutai-o". Eis o centro da experiência cristã. Escutar Jesus, acolher sua Palavra e permitir que sua presença transforme nossa vida.
Mas a experiência da montanha não termina nela mesma. Depois do encontro é preciso descer e voltar à vida cotidiana. O discípulo não sobe para fugir do mundo, mas para retornar mais forte à missão. Quem encontra Cristo na oração e na liturgia aprende a viver suas responsabilidades com mais esperança, amor e fidelidade.
Pe. Thiago José Gomes