Neste Dia do Senhor, o Brasil celebra também o Dia dos Pais. Louvamos e agradecemos a Deus pela vocação daqueles que exercem a paternidade. Mais do que provedores, os pais são chamados a ser educadores na fé, testemunhas de amor, responsáveis por transmitir valores humanos e cristãos às novas gerações.
Por isso, a Igreja celebra a Semana Nacional da Família, recordando que a família continua sendo uma das mais belas vocações confiadas por Deus à humanidade. É no ambiente familiar que aprendemos a amar, perdoar, servir e viver a fé.
Neste ano, somos convidados a refletir sobre o tema: "Família, torna-te aquilo que és", inspirado nas palavras de São João Paulo II, e o lema: "O amor jamais acabará" (1Cor 13,8). O tema nos recorda que a família precisa redescobrir continuamente sua própria identidade e sua missão. Em meio às mudanças culturais, aos desafios da educação dos filhos, às dificuldades econômicas e às tantas pressões da vida moderna, a família cristã é chamada a lembrar quem ela realmente é: lugar de amor, de acolhida, de perdão, de diálogo e de transmissão da fé. A família não nasce pronta; ela vai se tornando aquilo que Deus sonhou para ela por meio das escolhas diárias de seus membros. Já o lema nos recorda a fonte de toda vida familiar: o amor verdadeiro. Não se trata apenas de sentimentos ou emoções passageiras, mas daquele amor que sabe servir, perdoar, perseverar e recomeçar. É esse amor que vem de Deus e que sustenta os lares mesmo nos momentos mais difíceis. Quando uma família vive esse amor, torna-se sinal da presença de Deus no mundo e verdadeira escola de humanidade e santidade.
A vocação matrimonial ocupa um lugar central na vida da Igreja. Pelo sacramento do Matrimônio forma-se aquilo que a Igreja chama de "Igreja doméstica". Isso significa que a família não é apenas uma instituição social ou uma realidade afetiva, mas uma pequena comunidade onde Cristo está presente e atua. É no ambiente familiar que aprendemos a rezar, a partilhar, a perdoar, a respeitar os outros e a viver os valores do Evangelho. Por isso, cuidar da família é cuidar também da Igreja e da sociedade.
Na primeira leitura, o profeta Elias experimenta um momento de profunda descoberta espiritual. Deus não se manifesta no vento forte, no terremoto nem no fogo. Sua presença é percebida na brisa suave.
Quantas vezes esperamos manifestações extraordinárias de Deus! Entretanto, Ele costuma agir através das pequenas coisas. Um gesto de carinho, uma palavra de perdão, um momento de oração em família, uma atitude de solidariedade. É preciso educar o coração para perceber a presença divina nesses sinais simples.
Na segunda leitura, São Paulo manifesta amor pelo seu povo. Reconhece toda a riqueza da história de Israel, mas lamenta que muitos tenham fechado o coração à novidade trazida por Cristo. A graça de Deus é oferecida a todos, mas exige acolhida.
No Evangelho, Jesus sobe sozinho à montanha para rezar. Antes de qualquer atividade, alimenta sua comunhão com o Pai. Essa é uma lição importante para todas as famílias: sem vida espiritual, acabamos perdendo nossa direção.
Enquanto isso, os discípulos enfrentam ventos contrários e ondas fortes. A noite simboliza os momentos de dificuldade e incerteza que todos enfrentamos.
Quando o medo já dominava seus corações, Jesus se aproxima caminhando sobre as águas e pronuncia uma das frases mais consoladoras do Evangelho: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!".
Pedro deseja uma confirmação. Começa a caminhar sobre as águas, mas quando passa a prestar mais atenção no vento do que em Jesus, começa a afundar.
Muitas vezes fazemos o mesmo. Olhamos tanto para os problemas que perdemos de vista a presença de Cristo. O medo se torna maior que a fé.
Mas Jesus estende a mão a Pedro e o salva. Assim também faz conosco. Mesmo quando nossa fé é pequena, Ele permanece fiel.
Que neste Dia dos Pais todos os lares possam experimentar essa presença de Cristo que acalma as tempestades e fortalece a caminhada familiar.
Pe. Thiago José Gomes