São Gregório nasceu em Roma por volta do ano 540. Tendo tomado a carreira política, chegou a ser nomeado prefeito de Roma. Abraçou depois a vida monástica, foi ordenado diácono e desempenhou o cargo de legado pontifício em Constantinopla. No dia 3 de setembro do ano 590, foi elevado à Cátedra de Pedro, cargo que exerceu como verdadeiro bom pastor no governo da Igreja, no cuidado dos pobres, na propagação e consolidação da fé. Escreveu muitas obras de moral e teologia. Morreu a 12 de março do ano 604.
- Na primeira leitura, Paulo retoma a reflexão sobre o binômio “sabedoria-loucura” e o faz com referências ao Antigo Testamento. A sua atenção se concentra na loucura da pregação, na loucura da cruz, na loucura da fé. Ele, em sua fala, alarga e a aplica a toda a existência cristã: “viver em Cristo”. Isto comporta assumir a novidade de vida que Cristo pregou e que a sua cruz anuncia, ainda que pareça estranho e escandaloso ao mundo em que vivemos. Depois Paulo aperfeiçoa a escala dos valores, apresentando-a de modo eloquente: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo”. Todos pertencemos a Cristo por meio da fé. Ser de Cristo significa ter uma relação especial com Ele, por um chamamento recebido, pela Palavra escutada, pelo dom da graça acolhido. E Cristo é de Deus, diz Paulo, novamente é reafirmado o primado de Deus Pai, origem e fim de tudo e de todos. É preciso ir para além da sabedoria humana, que, muitas vezes, se deixa guiar por simpatias e preferências, e acaba por erguer barreiras que nos separam de Deus e uns dos outros.
- No Evangelho, Lucas realça o modo como a multidão escutava “a Palavra de Deus”. Deste modo, remete-nos para a comunidade eclesial que vive a sua fé colocando no centro de si mesma a “Palavra de Deus” e, ao mesmo tempo, Jesus como Palavra da revelação e a pregação apostólica. Lucas também realça que Jesus, “sentando-se, dali se pôs a ensinar a multidão”. Também este pormenor nos leva a considerar a narração evangélica como intimamente ligada à vida da primitiva comunidade cristã, em que a passagem da evangelização à catequese era normal e permanente. “Porque Tu o dizes, lançarei as redes”: Lucas sublinha a autoridade da Palavra de Jesus. Sabemos que toda a palavra que saía da boca de Jesus, para os Apóstolos ou para a multidão, estava carregada de especial autoridade: “Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!” (4, 36).“Depois de terem reconduzido as barcas para terra, deixaram tudo e o seguiram”. Esta expressão alerta para o radicalismo evangélico. Lucas quer indicar que o seguimento de Jesus implica, não só uma opção pessoal, mas também a decisão de se desapegar de tudo aquilo que, de algum modo, possa enfraquecer a adesão a Jesus. Atentos à sua Palavra, digamos sim ao chamado de Deus, em seu Filho Jesus.
- Para refletir: Sei que pertenço a Deus e devo fazer as suas obras? Sigo a sabedoria do mundo ou a quem vem do alto? Como tenho acolhido e vivido a Palavra de Deus? ...
Oração
Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir.
Procurava algo de significativo numa vida fácil e sem brio,
no tédio mortal de muitos dias sempre iguais.
O teu amor me atemorizava e, por isso, resisti muito tempo.
Agora, sinto-me rendido à tua irresistível sedução.
Puseste-me numa nova forma de existência,
mostrando-me uma missão que, a partir de agora,
dá consistência à minha vida,
mesmo no meio das dificuldades e das contradições.
Seguir-Te tornou-se uma maravilhosa oportunidade
para Pedro e para mim,
como para todos os que são chamados.
Que a saiba aproveitar, para glória do teu Nome.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago