A memória da Virgem das Dores chama-nos a reviver o momento decisivo da história da salvação e a venerar a Mãe associada à Paixão do Filho e ao lado d’Ele elevado na cruz. Sua maternidade assume no Calvário dimensões universais. Esta memória de origem devocional foi introduzida no calendário romano pelo Papa Pio VII (1814).
- Na primeira leitura, da Carta aos Hebreus, este texto claramente cristológico é retirado de um contexto em que é sublinhada a filiação divina e a identidade sacerdotal de Cristo, para também se aplicar a Maria. De fato, o Filho de Deus, que foi liberto da morte e do sofrimento, através dos quais foi tornado perfeito, é também filho de Maria. Os sofrimentos e a morte fazem parte da condição humana. Maria não foi isenta deles, apesar de ser mãe de Deus. Como Cristo, ela “aprendeu a obediência”. O alimento d’Ele, o Messias Salvador, foi fazer a vontade do Pai, atitude fundamental de sua vida: "Eis-me aqui!", numa vida marcada por alegrias e sofrimentos. Foi também esta a atitude fundamental de Maria: "Eis a serva do Senhor". A vontade de Deus a levou até ao Calvário, solidária com seu filho Jesus: "Estava a mãe dolorosa junto da Cruz lacrimosa donde pendia o Filho".
- O texto do Evangelho está no centro do relato da “apresentação de Jesus no templo”, onde é levado pelos pais, conforme prescrevia a Lei para os primogênitos. A “espada” que transpassa a alma e atinge o coração, preanuncia os sofrimentos e as dores que Maria havia de passar. A paixão de Jesus foi impressa no coração da Mãe. O clamor e as lágrimas do Filho fizeram-na sofrer de forma atroz. Como Jesus, e talvez até mais do que Ele, desejava que a morte se afastasse, e o Filho fosse salvo. Mas, ao mesmo tempo, Maria se uniu à piedade de Jesus, submeteu-se, como Ele, à vontade do Pai. Por tudo isto, a compaixão de Maria é verdadeira: carregou realmente sobre si o sofrimento do Filho e aceitou, com Ele, a vontade do Pai, numa atitude de obediência que vence o sofrimento.
- Para refletir: Como encaro os sofrimentos em minha vida? Sou solidário ao sofrimentos dos meus irmãos e irmãs? O que a Festa de Nossa Senhora das Dores me ensina? ...
Oração
Maria, Mãe de Deus,
Rainha e Mãe nossa,
eu vos ofereço as homenagens da minha veneração
e do meu amor filial.
Quero viver como vosso filho dedicado,
consolando-vos e obedecendo-vos em tudo.
Pela vossa poderosa intercessão,
fazei que todos os meus pensamentos e ações
sejam conformes à vossa vontade
e à do vosso divino Filho Jesus.
Amém.
Pe. Marcelo Moreira Santiago