“Será que estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus?”
Esse questionamento que Paulo faz a si mesmo na liturgia da Palavra de hoje também devemos fazê-lo a nós mesmos: nossa resposta tem sido dirigida a Deus ou aos outros? Diante de um mundo marcado pelo exibicionismo, em que o que vale é aquilo que aparece, aquilo que gera “curtidas”, em que muitas vezes se valoriza aquilo que alimenta os inúmeros discursos de ódio presentes na sociedade, somos interpelados pela Palavra de Deus a nos perguntar: “Estamos sendo verdadeiramente fiéis ao Evangelho ou nos deixamos guiar por quaisquer ideologias que nos são impostas?”
Infelizmente, a realidade que nos cerca atualmente mostra que, muitas vezes, o valor parece estar em quem grita mais alto, em quem chama mais atenção e em quem, deturpando a Palavra de Deus, busca alcançar o seu próprio projeto de poder. Não há uma preocupação real e sincera com as necessidades do todo. Os mais pobres, os feridos, os marginalizados, aquelas pessoas que necessitam de cuidado e atenção permanecem esquecidas, pois a preocupação de muitos de nós reside em defender aquilo que atende aos nossos próprios interesses. Caros leitores, diante disso, chegamos a uma constatação: quem age assim trai o Evangelho de Cristo.
Paulo nos mostra que aquilo que realmente é necessário não é agradar aos homens, mas sim a Deus. Servimos aos nossos irmãos, não porque eles sejam o fim último de nossa ação caritativa, mas porque neles vemos a pessoa de Cristo. Esse serviço que prestamos a eles deve considerar sempre a necessidade de agirmos com caridade, mas sem jamais faltar com a verdade, pois a mentira que ilude e conduz os homens por um caminho de afastamento do Senhor não deve ser aceita por nós.
É a verdade contida no Evangelho que nos fará crescer na empatia com aqueles que se encontram caídos à beira do caminho, necessitados de cuidado e ajuda. A indiferença que guiou as ações do sacerdote e do levita não pode encontrar espaço em nosso coração, pois esse não seria o modo como Jesus, o Bom Samaritano por excelência, agiria. Infelizmente, há muitos de nossos irmãos caídos às margens do caminho, esperando que tenhamos compaixão de suas necessidades e que estejamos dispostos a cuidar de suas feridas.
Assim, diante da liturgia de hoje, peçamos a graça de que o Senhor possa desbloquear os nossos sentidos, para que nos tornemos capazes de enxergar as necessidades de nossos irmãos e irmãs que passam por dificuldades. Por essa razão, quero propor como oração de resposta a esta liturgia uma música muito conhecida de todos nós: “Seu nome é Jesus Cristo”. Ao escutarmos essa canção, pensemos em tantos “Cristos” que deixamos caídos à beira do caminho, sem cuidado e atenção.
Que o Senhor nos dê um coração capaz de reconhecer o seu rosto naqueles que sofrem e a coragem de nos aproximarmos deles com compaixão e amor.
Deus nos abençoe a todos!
Música para oração: https://www.youtube.com/watch?v=4pQah4c92OM&list=RD4pQah4c92OM&start_radio=1
Seminarista Rômulo Ribeiro