“A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo?” Essa pergunta, que abre o Evangelho da liturgia de hoje, apresenta a maneira pedagógica com a qual Jesus deseja nos ensinar sobre o seu Reino: um lugar de acolhida, diálogo, compreensão, respeito e amor. Esses valores são indispensáveis para compreendermos a essência do projeto salvífico de Cristo, cuja finalidade é acolher a humanidade e comunicar a todos a alegria da salvação.
Ao comparar o Reino de Deus com uma grande árvore que cresce e oferece abrigo a tantos, o Mestre nos mostra que, na simplicidade de seu agir, Deus deseja ofertar a graça da salvação a todos os que se dispõem a acolher tão grande dom. A proposta divina não é destinada a um grupo seleto de pessoas que se consideram melhores ou separadas das demais, mas constitui uma oferta gratuita de amor, que deseja mostrar à humanidade que há esperança de salvação e que todos são chamados a participar da vida que brota do coração de Deus.
É verdade que, mesmo tendo consciência de que o Reino de Deus é uma realidade de acolhida para todos, não podemos assumir uma postura de comodidade diante desse dom. Para acolhermos tão grande graça, precisamos nos abrir à ação de Deus e buscar uma conversão sincera do coração. Assim, reconheceremos, como as aves do céu, que dependemos inteiramente do nosso Criador e que, longe dele, não encontramos a verdadeira fonte da vida e da felicidade.
Precisamos, ainda, voltar nossa atenção para a segunda comparação que Jesus faz sobre o Reino de Deus. O Mestre nos diz que ele é semelhante ao fermento que é acrescentado à massa para fazê-la crescer e dar origem ao pão. No mundo em que vivemos, precisamos aprender a ser fermento na realidade que nos cerca. E o que isso significa? Cabe a nós a coragem de, muitas vezes, no silêncio e no escondimento da vida cotidiana, transformar as situações ao nosso redor, sem buscar os holofotes ou o reconhecimento por aquilo que fazemos, mas procurando ser testemunhas autênticas da Boa-Nova do Evangelho.
Se desejamos ser felizes e construir um discipulado fecundo, precisamos avançar em nossa missão evangelizadora. Isso não significa realizar muitas coisas apenas para sermos vistos ou admirados por aqueles que nos cercam, mas, sobretudo, revelar aos nossos irmãos a face amorosa de Deus por meio de nossas atitudes. Assim como uma pequena quantidade de fermento é capaz de fazer crescer toda a massa, também nós, mesmo reconhecendo nossa pequenez, podemos contribuir para que a beleza do Evangelho transforme o mundo. Que nossas palavras, nossos gestos de caridade, nossa capacidade de perdoar e nossa disposição para acolher sejam sinais concretos do Reino de Deus, para que todos possam experimentar o amor do Pai e reconhecer que ninguém está excluído de seu chamado à salvação.
Seminarista Rômulo Ribeiro