Neste domingo, a Igreja celebra o Segundo Domingo do Tempo Comum. Talvez surja a pergunta: qual foi o primeiro? Na verdade, o domingo anterior marcou ao mesmo tempo o encerramento do Tempo do Natal, com a festa do Batismo do Senhor, e o início do Tempo Comum. A espiritualidade deste tempo nos convida a acompanhar a vida pública e a missão de Jesus, reconhecendo que é justamente no cotidiano, no simples e no ordinário da vida, que Deus continua a se fazer presente e a agir em nosso meio.
A Liturgia da Palavra de hoje nos ajuda a compreender melhor nossa missão como discípulos e discípulas de Jesus, chamados a viver e testemunhar a fé no dia a dia.
Na primeira leitura, ouvimos falar da missão do Servo do Senhor, o Servo de Israel. Este texto se liga profundamente à celebração do domingo passado, quando o Pai revelou Jesus como seu Filho amado. Aqui, o Servo é apresentado como aquele que foi escolhido e preparado por Deus para uma missão muito clara: reunir o povo de Israel e, ao mesmo tempo, ser luz para as nações.
A missão confiada por Deus não é fechada nem exclusiva; pelo contrário, ela se abre ao mundo inteiro. Isso nos recorda que o povo de Deus não existe para si mesmo, mas para testemunhar a comunhão, a fidelidade e o amor do Senhor a todos os povos.
O salmo soa como a resposta confiante do Servo que se coloca à disposição de Deus. É a oração de quem está pronto para fazer a vontade do Senhor, com disponibilidade e confiança. Essa atitude expressa a missão de todo o povo de Deus, mas encontra sua realização plena em Jesus, que viveu totalmente para cumprir o querer do Pai.
Na segunda leitura, o apóstolo Paulo dirige-se à comunidade de Corinto, uma das mais importantes comunidades cristãs dos primeiros tempos. Logo no início da carta, chama a atenção a forma como ele se dirige aos fiéis: “santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos”. Nessas palavras está resumida a missão de todo cristão. A santidade não é um privilégio de poucos, mas um chamado dirigido a todos. A Palavra de hoje nos convida a refletir: temos consciência de que somos chamados à santidade? Como estamos buscando viver esse chamado no concreto da nossa vida diária?
No Evangelho, damos continuidade ao episódio iniciado no domingo passado. João Batista oferece seu testemunho sobre Jesus e sobre a experiência vivida no batismo. Ele afirma com clareza que Jesus existia antes dele, revelando assim sua origem divina. Recorda também que o batismo no Jordão foi o momento da manifestação pública de Jesus e destaca a diferença fundamental entre o seu batismo e o de Jesus: enquanto João batizava com água, Jesus é aquele que batiza com o Espírito Santo. Por meio desse testemunho, João aponta para Jesus como o verdadeiro Enviado de Deus, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.
A Liturgia deste domingo nos convida a renovar nossa escuta, nossa fé e nosso compromisso. No Tempo Comum, aprendemos que seguir Jesus não é algo extraordinário apenas para alguns momentos, mas uma experiência que se constrói no cotidiano, nas pequenas escolhas e na fidelidade de cada dia. Que possamos reconhecer a presença de Deus em nossa vida comum e responder com generosidade ao chamado de sermos luz para os outros, vivendo como verdadeiros discípulos do Senhor.
Pe. Thiago José Gomes