Memória facultativa de São Brás, Bispo e Mártir.
Na primeira leitura lemos um relato de dor que muita gente conhece: a dor de um pai que perde um filho. Davi chora por Absalão e grita do fundo da alma: “Por que não morri eu em teu lugar?”. É o lamento de quem ama e se sente impotente. Aqui não tem discurso bonito, tem choro, tem vazio, tem coração rasgado. A Palavra não esconde o sofrimento humano; pelo contrário, mostra que até os grandes homens da fé choram, se quebram e se perguntam “por quê?”. Deus acolhe esse grito, porque ele nasce do amor.
O salmo continua nesse mesmo tom simples e verdadeiro: “Sou pobre e infeliz… inclinai vosso ouvido, Senhor”. É a oração de quem não tem mais forças, mas ainda confia. E o Evangelho nos leva para dentro dessa mesma dor humana, agora tocada por Jesus. Jairo é um pai desesperado, a mulher sofre há doze anos, e ambos se aproximam de Jesus sem certezas, apenas com fé. Quando a notícia da morte chega, Jesus não nega a dor, mas aponta um caminho: “Não tenhas medo. Basta ter fé.” A fé, aqui, é continuar acreditando quando tudo parece ter acabado.
No gesto mais bonito do Evangelho, Jesus pega a mão da menina e diz com ternura: “Talitá cum”: levanta-te. Onde Davi desejou morrer no lugar do filho, Jesus devolve a vida. Ele não faz espetáculo, mas age com amor concreto, devolvendo movimento, esperança e futuro. Jesus mostra que Deus entra nas nossas casas, nos nossos lutos e nas nossas enfermidades para nos levantar.
Ao celebrarmos esta Palavra, recordamos São Brás, bispo e mártir, pastor fiel que cuidou do povo com amor e coragem. Pela sua intercessão, peçamos ao Senhor a saúde do corpo e da alma, a libertação de toda enfermidade e a graça de confiar em Deus mesmo nos momentos de dor, certos de que Ele continua dizendo à nossa vida: “Levanta-te!”.
Seminarista Mirosmar Gonçalves.