Amparados pela graça de Deus, somos convidados a avançar na vivência do tempo pascal e, consequentemente, a aumentar em nosso coração o amor a Jesus Cristo, caminho, verdade e vida que nos conduz ao Pai. O Evangelho de hoje nos mostra o Mestre já caminhando para a despedida de seus discípulos: aproxima-se a hora em que o Senhor voltará para a casa do Pai, para preparar também a nossa morada eterna.
É evidente que os discípulos devem ter se angustiado diante dessa iminente separação; todavia, Jesus os conforta quando diz: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (Jo 14,1).
A fé que nutrimos em Nosso Senhor nos permite atravessar as dificuldades desta vida, pois percebemos que os males com os quais nos deparamos aqui na terra, não se comparam com aquilo que nos espera na mansão celeste que Cristo prepara para nós. O Mestre não nos ilude em nenhum momento: pois aquele que permanece fiel à sua Palavra e cumpre os seus ensinamentos não ficará desamparado quando surgirem as intempéries desta peregrinação terrestre.
Mas por que temos tanta dificuldade em acolher essa verdade imutável em nossa vida? Porque não somos capazes de fechar os ouvidos às vozes deste mundo, que insistem em nos fazer pensar que nossa vida se resume a esta realidade, levando-nos a esquecer que fomos feitos para a eternidade. Compreenderemos essa verdade quando entendermos que não existe outro caminho para chegarmos ao Pai senão seguindo a proposta ensinada por Cristo, contida em sua Palavra.
Perguntemo-nos: quais caminhos temos trilhado em nossas vidas? Quais verdades têm guiado as nossas ações? Nós, que somos católicos, discípulos e seguidores de Cristo, sabemos que, para alcançarmos a Vida que o Mestre nos promete, não podemos abrir mão da verdade imutável que Ele nos ensina. Quem acolhe verdadeiramente a sua Palavra sabe que não é possível viver uma vida de aparências, que não fortalece a nossa identidade de seguidores e verdadeiros amigos de Jesus.
É essa verdade ensinada pelo Mestre que nos impede de trilhar caminhos tortuosos que não nos conduzem à salvação. Crescem, a cada dia, em nossa sociedade, numerosas ofertas fáceis e atraentes, que se mostram tentadoras em nossa vida; mas, quando resolvemos segui-las, percebemos que aquilo que parecia belo, nos afastam da verdadeira razão de nossa existência, que é Cristo. Quando nos entregamos somente àquilo que nos dá prazer, vemos que isso não nos preenche; por essa razão é necessário estarmos dispostos a viver sempre em comunhão com o Senhor da vida.
Sabemos que, para os que creem, Cristo se torna pedra de sustentação na sua vida; para aqueles que não creem, entretanto, torna-se pedra de tropeço. Não há dúvidas de que nossa caminhada terrena será plenamente realizada quando compreendermos que, longe de Cristo, nada somos. Não se trata de vivermos alienados diante da realidade que nos cerca, mas de sermos capazes de nos desapegar daquilo que desvia o nosso olhar dos bens eternos.
Jesus não derramou seu sangue na cruz para que permanecêssemos apegados a uma vida de pecado que nos desumaniza e nos impede de caminhar segundo sua vontade. O que Ele espera de nós é que acolhamos a salvação que nos oferece por meio de seu sacrifício de amor. Mas não basta fazermos essa experiência de desprendimento das coisas terrenas se o nosso discipulado não testemunhar, àqueles que ainda não conhecem a Cristo, que o nosso lugar é junto d’Ele e que o Senhor nos aguarda na morada que preparou para nós.
Por isso, rezemos:
Dai-nos, Senhor, a graça de nos desprendermos das seduções deste mundo. Ensinai-nos a caminhar segundo a vossa Palavra, para que, trilhando o vosso caminho, não sejamos surpreendidos pelas pedras de tropeço que se apresentam nas estradas desta vida. E assim, amparados por vossa graça, possamos um dia tomar posse da morada que preparais para nós na vida eterna. Amém.
Seminarista Rômulo