A liturgia deste dia nos apresenta a importância de permanecermos em comunhão com Cristo por meio da escuta atenta de sua Palavra. Acolher os ensinamentos do Senhor em nossa vida significa dispormo-nos a colocá-los em prática, viver em comunhão com Ele e demonstrar o nosso amor incondicional. Conscientes disso, veremos que nenhuma glória deste mundo poderá suprir a grande riqueza que consiste em sermos servidores do Senhor.
Na primeira leitura que contemplamos hoje, vemos o grande exemplo de dois homens, Paulo e Barnabé, que compreenderam a sua missão, não se deixando levar pela tentação de ocupar o lugar de Jesus Cristo. Vivendo o seu apostolado, o amor desses dois homens pelo Mestre e por sua missão encanta o povo daquela cidade que, diante da eloquência da pregação dos Apóstolos, deseja torná-los deuses.
Diante dessa postura do povo, aqueles servos poderiam muito bem assumir o lugar de senhores, mas sabiam qual era o lugar que lhes cabia. Não se deixam levar pelo ego e, por isso, repreendem a pretensão do povo. Essa deve ser também a nossa atitude diante de tudo aquilo que contraria a nossa fé. Diante de qualquer realidade que tenda a nos afastar de nossa submissão ao poder de Deus, precisamos rejeitá-la, para que o nome divino seja sempre honrado e amado.
Quem ama verdadeiramente alguém não deseja anular sua força ou seu protagonismo, mas, ao contrário, deseja fazer crescer ainda mais esse amor por meio de uma união cada vez mais íntima. É justamente isso que vemos na postura de Paulo e Barnabé: eles não se utilizam da missão em benefício próprio. Sua ação não é fruto de seus méritos, mas da ação do Espírito Santo em suas vidas, mediante a doação e o seu “sim” generoso. Nós, que somos convidados a seguir Jesus de perto, precisamos ter claro que somos templos e instrumentos de sua ação em benefício do povo.
Todos nós, em algum momento de nossa vida, fomos resgatados pela ação de Cristo. Não somos frutos do acaso e, por isso, devemos demonstrar, por meio de nossas ações — ainda que imperfeitas — o nosso amor por Ele. Mas não basta guardar os efeitos desse amor apenas para nós; é preciso anunciá-lo aos irmãos com os quais convivemos. Precisamos ser missionários do amor e da misericórdia. Não existe maneira melhor de retribuirmos tudo o que o Senhor faz por nós do que nos colocarmos na escuta atenta de sua Palavra e anunciá-la àqueles que sofrem e necessitam de esperança.
É certo que, sempre que falamos da necessidade de sermos missionários e de nos colocarmos a serviço da Igreja e do Evangelho de Cristo, surgem muitos questionamentos sobre como realizar tal missão. Diante disso, a postura que nos cabe é a de sermos dóceis ao Espírito Santo, pois Ele nos revelará tudo o que precisamos fazer para engrandecer o nome de Cristo e nos colocarmos a seu serviço. É esse mesmo Espírito que não nos deixará esquecer tudo o que o Senhor fez em nosso favor, o quanto nos amou ao entregar a sua vida por nós.
É por essa razão que transformamos a Palavra que ouvimos em oração, dizendo:
Senhor Jesus, queremos hoje renovar o nosso propósito de vos amar e servir. Não desejamos ser o centro de nossas ações, mas queremos tornar o nosso agir semelhante ao vosso, para que aqueles que olharem para nós vejam, em nossas atitudes, a semelhança com o vosso ser e o vosso agir. Não permitais que a soberba tome conta de nosso coração; antes, concedei-nos cultivar a humildade, para que sejamos fiéis anunciadores de vossa Palavra. Assim seja.
Seminarista Rômulo