“Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações”. O refrão do salmo da liturgia de hoje consiste em um imperativo que devemos cultivar em nossa vida de seguidores de Jesus: anunciar as maravilhas que Deus realiza no cotidiano de seu povo. A Boa-Nova da salvação deve ser proclamada sem reservas por todos aqueles que experimentam o amor do Senhor em suas vidas, de modo que mais pessoas sejam capazes de sentir tamanha riqueza.
O maior anúncio que devemos realizar em nosso discipulado é o do amor de Cristo, no qual Ele nos convida a permanecer. O nosso agir cristão deve apontar para esse bem a ser almejado por todos: ser amado pelo Senhor e, assim, fazer com que mais pessoas O amem. Ao realizar essa experiência, seremos capazes de, como nos pede a primeira leitura, superar qualquer marca rigorista que possa existir em nossa vida de fé.
Acompanhando, desde ontem, o capítulo 15 dos Atos dos Apóstolos, vemos a realização do grande Concílio de Jerusalém. Em meio a toda essa discussão, um trecho da leitura de hoje precisa ser ressaltado, quando Pedro afirma que o Senhor não fez distinção entre nós e eles, se referindo aos pagãos (cf. At 15,9). Essa fala do Apóstolo é inquietante, pois, naquele tempo e também para nós hoje, ajuda-nos a perceber a necessidade de superarmos qualquer tendência que provoque soberba na vivência de nossa fé, causando assim divisão na Igreja.
Na vida da comunidade, não há espaço para a arrogância espiritual, que nos leva a pensarmos que somos melhores do que nossos irmãos que ainda não possuem uma maturidade espiritual satisfatória. Essa atitude divide e segrega o corpo eclesial, dificultando a vivência da fraternidade e do amor entre os irmãos. Não é esse o desejo do Senhor. O que o Mestre anseia é que todos sejam congregados em um só rebanho, para, assim, serem inseridos no tronco da Videira verdadeira e não se afastarem do amor.
Unidos a Cristo, estaremos prontos a receber os cuidados que Ele deseja dispensar a nós, sendo o principal deles o amor, marca da sua união íntima com o Pai. Não há maior riqueza para nós, que seguimos a Jesus, do que permanecer unidos a Ele e, assim, experimentar a sua ternura e o seu cuidado. Essa união nos impulsiona a sermos mais abertos à sua graça, tornando-nos mensageiros de sua presença salvífica no mundo.
Em nossa vida, por vezes, distanciamo-nos desse amor porque preferimos traçar o nosso próprio caminho, esquecendo-nos de que, longe de Cristo, somos como uma criança que está aprendendo a caminhar: ela até tenta ir sozinha, mas, quando percebe que está longe do seu ponto de apoio, se apavora e cai. Jesus é o nosso porto seguro; dele provém a seiva que nos mantém vivos diante dos ventos que assolam a nossa vida.
Fujamos da tentação da autossuficiência, que insiste em nos afastar Daquele que é a razão de nosso viver. O Evangelho é claro: a alegria não está no ter, no ser ou no fazer coisas, mas sim em permanecer no amor de Cristo, pois Nele está a felicidade que não passa. No Senhor, entenderemos que todo o nosso ter é fruto da sua graça que age em nós; que o nosso ser é pleno quando transmitimos a sua bondade aos irmãos; e que o nosso fazer se torna um perfeito louvor a Ele, livrando-nos de qualquer autorreferencialidade.
Assim rezemos: Dai-nos Senhor a graça de construirmos pontes que unem nossos irmãos a vós, ajudai-nos a derrubar os muros do isolamento, que impedem o conhecimento verdadeiro da sua pessoa. Concedei-nos também, Deus de bondade, a graça de acolhermos em nossa vida a perfeita alegria de permanecer em seu amor constante, para que as coisas passageiras deste mundo não nos desviem do nosso fim último que é a salvação. Amém.
Seminarista Rômulo