“Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros.” Nesta sexta-feira da quinta semana da Páscoa, a Liturgia da Palavra nos mostra a beleza do amor de Cristo para com os seus discípulos. Ao longo desses dias, meditando o capítulo 15 do Evangelho de João, vemos que a perfeita vivência do amor a Deus consiste em permanecer em Cristo e seguir os seus mandamentos com fidelidade. Fazendo isso, seremos fiéis aos seus desígnios, permitindo que sua graça frutifique em nossa vida.
O principal fruto que o Senhor deseja que produzamos é a experiência do amor fraterno, que estreita os laços e rompe as barreiras que impedem uma união mais próxima. Se entendermos a dinâmica do amor na lógica divina, veremos que ela acontece de maneira processual: o Pai manifesta o seu amor ao Filho, o Filho manifesta o seu amor aos discípulos, e os discípulos vivem entre si o amor fraterno.
Portanto, podemos compreender que o distintivo de uma comunidade, de uma sociedade ou de uma família verdadeiramente cristã consiste na vivência do amor concreto, fruto de um encontro verdadeiro com Jesus Cristo. Esse encontro com o Senhor é condição indispensável para a construção de laços de proximidade, pois, ao nos sentirmos amados por Aquele que foi capaz de doar a própria vida para nos salvar, compreenderemos que qualquer realidade que nos divide se torna secundária diante de tão esplêndido mistério.
Mas como viver o amor oblativo, semelhante ao de Cristo, em uma sociedade marcada pelo individualismo? Esse questionamento nos inquieta, pois, à medida que os anos passam, percebemos que os laços de proximidade se dissipam cada vez mais, principalmente diante do advento das redes sociais. Prioriza-se o contato virtual com quem está a quilômetros de distância, em vez de estreitar os laços com aqueles que compartilham o mesmo espaço conosco no trabalho, na escola, na comunidade de fé e até mesmo na família.
Aliás, precisamos estar vigilantes diante de uma realidade que nos preocupa: nossas famílias encontram-se cada vez mais desestruturadas devido a incapacidade de seus membros de se doarem amorosamente. Muitos casais já não veem mais o cônjuge como um companheiro de caminhada no cumprimento da vontade de Deus, mas como alguém com quem se deve competir. Em muitos lares, já não existe diálogo entre esposos, entre pais e filhos, entre irmãos. Onde cessa o diálogo, cresce a indiferença e, em alguns casos, até mesmo o ódio.
Se queremos verdadeiramente ser reconhecidos como discípulos de Jesus, precisamos amar. Esse será o nosso distintivo, a marca que nos diferenciará diante daqueles que não creem. Contudo, o amor exige de nós a coragem de abrir mão de nossas convicções, de nossas falsas seguranças, e de nos aventurarmos pelas trilhas, muitas vezes desconhecidas, do permanecer em Cristo e do relacionamento com os nossos irmãos. Que a nossa vida seja como uma videira fecunda, capaz de produzir os doces frutos da caridade em favor de nossos irmãos e irmãs.
Assim rezemos: Deus de bondade, inflamai os nossos corações no desejo de cumprirmos a sua vontade. Não permitais que sejamos indiferentes ao seu forte apelo: “Amai-vos uns aos outros”, dissipai de nosso coração as trevas da indiferença, do ódio e da violência, para que nossa vida de discípulos seja marcada pelo desejo de estreitar os laços que nos aproximam e assim possamos, juntos, construir a tão sonhada civilização do amor. Amém.
Seminarista Rômulo