Estamos vivenciando a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Dentro desse propósito, o Espírito Santo quer suscitar em nosso coração o compromisso de trabalharmos juntos para que, no mundo, não haja divisões entre aqueles que creem em Cristo. O sonho de Deus para o seu povo é que haja um só rebanho e um só pastor, onde não existam mais disputas ou tensões entre os irmãos, promovendo-se o respeito às diferenças.
Nesse sentido, os textos bíblicos da Liturgia da Palavra de hoje nos auxiliam no desejo de fortalecermos esse bom propósito em nossa vida. Na primeira leitura, vemos Paulo deixando seu grande testamento espiritual, apresentando os grandes feitos realizados por Deus através de seu apostolado. É belíssimo quando escutamos da boca do apóstolo a seguinte afirmação: “Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus” (At 20,19).
Diante desse testemunho, podemos pensar naquelas pessoas que perseveram no anúncio da Palavra de Deus mesmo em meio às dificuldades. E aqui não mencionamos somente os ministros ordenados ou os religiosos com suas valorosas contribuições. Mas queremos pensar naquela mãe, naquele pai de família que luta no cotidiano de sua vida para educar os seus filhos na fé, diante das tantas influências que o mundo deseja impor no seio de nossas casas.
Podemos nos lembrar também dos leigos e leigas que se engajam no trabalho pastoral de nossas comunidades de fé, doando uma parte de seu tempo ao serviço evangelizador da Igreja, abrindo mão, muitas vezes, de momentos de lazer e de convivência com amigos para poder, assim, levar a termo a missão que receberam. Para muitos, isso pode parecer perda de tempo, mas, para nós que cremos, é uma maneira de correspondermos ao grande amor que Deus manifesta por nós.
Esse amor nós o vemos claramente relatado no Evangelho de hoje, quando Jesus, em sua oração sacerdotal, roga ao Pai por nós, seus seguidores, pedindo que as forças do mundo não sejam capazes de nos desviar do caminho do Senhor. Jesus nos mostra que a maior riqueza que podemos alcançar é a de conhecer a Deus e, assim, gozarmos das alegrias da vida eterna (cf. Jo 17,3). Mas, para que nós e nossos irmãos sejamos capazes de acolher em nossa vida esta Palavra de vida eterna, é preciso haver quem a anuncie. O tesouro da Boa-Nova do Evangelho não pode permanecer guardado, quando tantos carecem de estímulo para alcançar a salvação.
Desta forma, queremos hoje nos dispor a abrir o nosso coração à graça de Deus e, assim, romper com tudo aquilo que divide; romper com nossas ideologias, convicções e seguranças, para que sejamos capazes, assim como Paulo, de levar a termo a missão que o Senhor nos confia. Não tenhamos medo dos desafios que nos aguardam. Sejamos perseverantes e fiéis no seguimento de Jesus. A nós cabe ter coragem e confiança em Cristo, pois Ele, cumprindo o seu papel de único mediador junto ao Pai, roga por nós para que não esmoreçamos diante das dificuldades.
Assim, rezemos: Senhor Jesus, em nosso discipulado, muitas vezes nos deixamos levar pelo desânimo; falta-nos a humildade de crer em vossa ação benevolente, o que nos faz, em alguns momentos, desconfiar de que o Senhor cuida de nós em nossa jornada terrena. Queremos hoje vos pedir: não permitais que o medo e a incapacidade de aceitar as provações nos impeçam de cumprir a vossa vontade. Fazei que em nossa vida haja um só objetivo: conhecer e tornar conhecido o vosso amor a todos com os quais convivemos. Amém.
Seminarista Rômulo