Seguindo o testamento espiritual do Apóstolo Paulo, acompanhamos, na leitura da liturgia de hoje, a exortação realizada por ele a respeito dos desafios enfrentados na vida missionária da Igreja. O Doutor dos Gentios não ilude nenhum dos membros da comunidade; mostra a eles que, de fato, haverá muitas tempestades a serem enfrentadas, e surgirão muitos que buscarão confundir os cristãos em seu caminho. Contudo, diante de tudo isso, é preciso permanecer firme para que as forças do mal não sejam capazes de sabotar a comunidade eclesial.
Paulo dá algumas orientações para que haja fidelidade por parte dos seguidores de Jesus. A primeira delas consiste na busca pela capacidade de despojamento e confiança. É preciso ser livre de tudo aquilo que pode se configurar como um peso no cumprimento da Palavra de Deus, para que, em nossa “bagagem”, permaneçam sempre os valores ensinados por Cristo. Mas é necessário também confiar no Senhor, acreditando que os ataques sofridos por parte dos inimigos da fé não serão capazes de destruir a missão evangelizadora da Igreja, que perdura até os dias atuais, mesmo que muitas vezes tal oposição surja dentro da própria comunidade.
Paulo é bastante sábio quando afirma a necessidade de estarmos vigilantes quanto àqueles que despontam em nosso meio movidos por critérios diferentes dos de Jesus. Certamente, essa palavra acende para nós, nos dias atuais, um alerta muito pertinente: não basta dizer que pertencemos a Cristo; é preciso agir verdadeiramente como membros de seu Corpo Místico, que é a Igreja. Muitos de nossos irmãos permanecem inseridos na comunidade de fé, mas agem totalmente alheios àqueles que são os valores do Evangelho.
Infelizmente, muitas pessoas deixam de crer no Senhor e na sua Igreja por causa do mau testemunho que alguns cristãos transmitem através de suas ações. É triste quando vemos membros de nossas comunidades que, com suas atitudes, não favorecem a aproximação de irmãos e irmãs para que também possam experimentar a mesma vida da graça da qual fazemos parte. Se experimentamos verdadeiramente o amor de Cristo, devemos desejar ardentemente que os nossos irmãos também façam essa mesma experiência de encontro com Ele.
É nisso que consiste a prece sacerdotal elevada por Cristo ao Pai: “que todos sejam um”. O desejo do Mestre é atrair todos para a salvação, de modo que ninguém se perca diante das forças do mal presentes no mundo. Não podemos ser indiferentes a esse desejo do Senhor; ao contrário, devemos colaborar para que ele se torne realidade. Somente permanecendo unidos a Cristo estaremos propensos a alcançar a verdadeira alegria que nasce da comunhão com Ele.
Todavia, se realmente queremos alcançar tão grande bem, é preciso estar preparados para enfrentar as dificuldades que o mundo nos impõe. O próprio Jesus tem consciência da rejeição que enfrentaremos por não pertencermos a este mundo. Não é fácil ser de Deus em ambientes onde imperam os valores da indiferença, das divisões e do desamor. Mas mesmo que sejamos incompreendidos por aqueles que convivem conosco, não podemos abrir mão de tornar concreto o sonho de Deus para os seus filhos: que todos sejam um.
Assim queremos rezar dizendo: Senhor, queremos vos pedir a força necessária para enfrentarmos as provações que o mundo nos impõe. Dai-nos a alegria de perseverarmos junto a vós, de modo que quando vierem as tempestades sejamos protegidos por sua graça salvadora e não sejamos consumidos pelo medo. Ajudai-nos a lutar a cada dia, contra tudo aquilo que insiste em promover a divisão em nossas comunidades, para que sejamos reconhecidos como verdadeiros anunciadores da paz e do amor que brota de seu coração. Amém.
Seminarista Rômulo