Comunidades


Nossa Senhora Aparecida e Sant´Ana


Nossa Senhora Aparecida e Sant´AnaEndereço:
Bairro: Canela e Gogo
Celebrações Litúrgicas:

Domingo às 18h


História:

Logo na saída da zona urbana de Mariana, em direção à cidade de Santa Bárbara, encontra-se a comunidade de Nossa Senhora Aparecida e Santana, integrante da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. A dupla atribuição de padroeiras à comunidade já fornece uma pista do caráter plural – mas ao mesmo tempo integrado – deste distrito: de um lado da rodovia MG-129, em uma área de colinas, encontra-se o povoado de Santana ou, como é mais conhecido, do Gogô, assim chamado em função da versão para o inglês (Go – Go) do antigo nome da região (“Vamos–Vamos”); do outro lado do asfalto, há uma pequena várzea, onde corria o ribeirão do Canela, em cujas margens brotava uma espécie vegetal hoje em extinção, a canela-de-ema (nome científico da plantinha: Vellozia sp., Velloziaceae). Não há fronteiras rigorosamente definidas entre as duas áreas, divididas apenas pela estrada, uma vez que os inventários e testamentos são imprecisos e contraditórios. Desta maneira, apesar de separadas, as duas localidades encontram-se vinculadas por relações familiares e de parentesco, por laços de amizade e, sobretudo, pelo compartilhamento da mesma fé.

Canela-de-ema, encontrada nas margens do ribeirão do Canela.       A comunidade surgiu junto com o antigo arraial do Carmo, hoje cidade de Mariana, bem no início do século XVIII. Assim, lá pelos idos de 1703, quando a maior parte dos paulistas que havia promovido as primeiras extrações de ouro no Ribeirão do Carmo tinha retornado para Taubaté, devido à falta de alimentos para subsistência, o bandeirante Francisco Fernandes, apelidado “Vamos Vamos”, ficou na região, dedicando-se à retirada do precioso minério nos córregos próximos ao Morro de Santana.
         
A partir desse mesmo ano de 1703, o bandeirante Antônio Pereira Machado (de quem derivou o nome do distrito de Antônio Pereira) trouxe para a região das Minas uma técnica utilizada pelos espanhóis para extração do ouro nas encostas dos morros: a escavação de minas subterrâneas. O resultado obtido por meio dessa técnica mostrou-se muito mais rentável do que a lavagem de ouro nos rios, levando ao enriquecimento de Antônio Pereira, que então comprou de “Vamos-Vamos” as lavras de Morro de Santana.

Com a difusão da técnica trazida por Antônio Pereira, multiplicaram-se os túneis para escavação do ouro e também os sarilhos, buracos verticais, que possibilitam tanto a entrada de ar para os trabalhadores como a retirada do ouro por baldes e cordas. O minerador alemão barão Wilhelm von Eschwege, que viveu em Vila Rica nas primeiras décadas do século XIX, afirmou sobre as lavras da região, inclusive de Morro de Santana: “Às vezes não se pode caminhar cinqüenta passos, sem topar com uma galeria e um poço, aberto no morro [...]. Centenas de catas foram abertas junto ou sobre os poderosos vieiros de quartzo aurífero [...]”. Tais minas e poços foram escavados por milhares de escravos e mineiros pobres, que labutavam enquanto houvesse luz do sol, sob o risco constante de desabamentos. De seus esforços, subsistem ainda hoje centenas de quilômetros de túneis, ainda não totalmente mapeados.

 

Em 1711, o arraial do Carmo, que já contava com uma numerosa população, conseguiu obter sua elevação político-administrativa à categoria de Vila, com subsequente criação da primeira Câmara. A ereção à categoria de Vila foi confirmada em 1712 pelo rei D. João V, mas para que esta efetivação ocorresse foi necessária a demarcação de um “termo” da Vila, ou seja, de um terreno público que competiria à Vila administrar. Se a Câmara não conseguisse um termo por doação de moradores ou do Rei seria impossível, em termos jurídicos, a constituição da Vila. Foi então que Antônio Pereira, em troca de favores, cedeu uma área de sua imensa propriedade para a Câmara da Vila do Carmo – e, com isso, o Morro de Santana passou a fazer parte do termo de Mariana.
 


Foi também no ano de 1712 que a Capela de Santana foi construída em uma das colinas da localidade, possivelmente com recursos doados por Antônio Pereira. Segundo pesquisas recentemente promovidas na região, o templo antigo media 10 metros de largura por 30 de comprimento, possuindo várias esculturas sacras: Senhor dos Passos, Nossa Senhora das Dores, São José e São Roque, sendo a mais imponente e importante de todas a imagem de Santana Mestra, em madeira policromada e douramentos, medindo 95 centímetros de altura. Do lado da Capela, foi construído um cemitério, onde eram enterrados os fiéis, menos aqueles que faleciam de doenças contagiosas.

 

Mas o que fazer com os despojos mortais dos fiéis que morriam em função de doenças endêmicas? Foi então que na parte mais baixa da localidade (próximo à atual área do Canela), foi construído um novo cemitério, intitulado “Das Bexigas”. Na mesma ocasião, o Morro de Santana, como passou a ser mais conhecido, foi também paulatinamente ocupado por residências, senzalas, currais...

 

O culto a Santana foi uma das devoções mais fervorosas em Minas ao longo do século XVIII, como demonstram os estudos dos testamentos da época. Santana, porém, não é uma figura bíblica mencionada nos quatro evangelhos canônicos, e sim num texto apócrifo, o proto-Evangelho de Tiago, composto provavelmente no século II. A despeito disso, Ana e Joaquim, considerados progenitores de Maria, foram integrados à liturgia católica. É curioso observar que a maior parte dos devotos de Santana nas terras mineiras do Setecentos eram homens nascidos em Portugal e de condição livre. Geralmente alfabetizados, com atividades ligadas ao comércio ou às armas, tais sujeitos viam em Santana, mãe e mestra da Virgem Maria, uma protetora com quem podiam identificar-se: afinal, também eles precisavam dispor do domínio do saber letrado para bem viver. Mais interessante ainda é que, entre as mulheres, o maior número de devotas de Santana Colônia não estava entre as portuguesas, e sim entre aquelas que nasceram nas Colônias ou entrepostos comerciais ultramarinos, sendo que mais de 50 % eram africanas ou suas descendentes. Neste caso, a afinidade com Santana não se encontrava ligada ao letramento, mas sim à incumbência de cuidar da infância e da adolescência, tarefa muitas vezes desempenhada pelas amas-de-leite ou criadas, e não pelas sinhás.

 

Em função de seus vestígios arquitetônicos (como os túneis e sarilhos da mineração e, sobretudo, as edificações da antiga Capela), o Morro de Santana é considerado o maior sítio arqueológico existente no Brasil (com quase três milhões de metros quadrados), tendo sido - felizmente - tomado pelo Conselho Municipal de Cultura em 28 de fevereiro de 2008 (decreto 4.481). Aguarda-se, porém o tombamento definitivo, a ser promovido pela Câmara de Vereadores, já que o decreto existente pode ser derrubado justamente pelo legislativo municipal.
Todavia, a prosperidade do Morro de Santana não foi muito além do século XVIII. Já no final desse período, o ouro dava mostras de esgotamento, o que levou ao abandono de muitas residências e lavras. Os sujeitos mais poderosos da região, naquela ocasião, contavam no máximo, segundo Wilhelm Eschwege, com 12 escravos, quando o número mínimo para se ser considerado um “grande proprietário”, de acordo com os padrões da época, era acima de 50 “peças”. Assim, na metade do século XIX, as lavras estavam praticamente abandonadas, enquanto as terras para plantio estavam devolutas. Segundo relato do geólogo Domingos Fleury da Rocha, professor da Escola de Minas, sobre a situação da mineração nos arredores de Vila Rica (Ouro Preto) e Mariana no final do século XIX, “Os mineiros e com eles a experiência e a tradição, haviam desaparecido. Da agitação febril dos tempo idos, apenas restavam como testemunhos eloquentes e imperecíveis, o dorso descarnado das montanhas, o leito revolvido dos cursos d’água e as entranhas da terra impiedosamente perfuradas. [...] já haviam desertado os últimos ecos do surdo troar dos engenhos e dos cânticos plangentes dos escravos procurando em vão suavizar as agruras de sua faina extenuante” (Annaes da Escola de Minas, n. 26, 1935, p. 113).


Entretanto, desde 1814, o capital estrangeiro, sobretudo inglês, através da empresa Geological Royal Society Corwall, passou a mapear e explorar algumas lavras situadas no município de Mariana. Os veios auríferos, cada vez mais profundos, exigiam que ao invés das antigas bateias, fosse empregado algum maquinário para extração do minério, recurso indisponível para a mão de obra local. Em 1819, Von Eschwege, em conjunto com seus sócios ingleses, comprou a Mina de Passagem e, logo a seguir, as  Minas do “Vamos–Vamos”, por eles, desde então, traduzidas para “Go-Go”. A firma foi revendida, em 1859, para o inglês Thomas Bawden, que a      repassou em 1863 a Thomas Treolar, representante da Anglo Brazilian Gol Mining Company Limited, que também adquiriu a Mina de Passagem. Em 1927, toda essa propriedade foi negociada pelo último diretor inglês, Sir Arthur Ben Susan, com o empresário de fábricas de tecidos Benjamim Guimarães que, com suas finanças, também adquiriu a patente de coronel. O novo dono das terras da região iniciou uma grande reforma na Igreja de Santana no ano de 1934, obra que se estendeu até 29 de junho de 1939, data do aniversário do proprietário, quando a Capela foi reaberta com uma grande festa.


A localidade, porém, só veio a ter um certo surto de crescimento a partir dos anos 1960, quando novas tentativas de extração do ouro na região foram empreendidas. O aumento populacional, todavia, trouxe alguns problemas, até então, pouco recorrentes na região, como furtos e arrombamentos de moradias. Assim, um dia, a Igreja de Santana foi encontrada com as portas abertas, embora nada tivesse sumido. Pelo sim, pelo não, os moradores fizeram uma relação dos poucos bens religiosos existentes na Capela, sobretudo de suas imagens, e a encaminhou ao bispo de Mariana, D. Oscar de Oliveira, a fim de que fossem tomadas providências quanto à segurança das peças. A decisão de D. Oscar foi a de encaminhar as imagens e outros objetos de arte do templo de Santana para o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana, que havia sido fundado pouco tempo antes, em 1962.

 

Porém, o resguardo das imagens sacras no Museu Arquidiocesano pareceu não impedir o processo de deterioração da Capela, ao menos no entendimento do arcebispo, que concordou com a concessão do prédio, na década de 1970, juntamente com a maior parte de seu acervo, para a coleção particular do já falecido Arthur Vale Mendes, um dos proprietários da empresa Mendes Júnior. O empresário, conhecido como Tuca, usou as peças para ornamentar a capela que estava erigindo na sede da Companhia, no bairro de Estoril da cidade de Belo Horizonte, inaugurada em 1977. E lá se foram as peças da Igreja na boleia de caminhões para a capital mineira, enquanto as telhas e o sino foram doados para a Capela de Santa Cruz no Barro Preto, inaugurada em 1978. Em paralelo, alguns moradores da comunidade do Sapé, próxima à Igreja do Rosário, em Mariana, pediram autorização a D. Oscar para utilizar os tijolos na melhoria de suas casas, muitas delas de pau a pique.


A consternação dos moradores de Morro de Santana, que tinham a igreja como sua maior referência de identidade social e de fé, foi geral. Como lidar com tal desaparecimento? Surpreendida e triste, a população permaneceu alguns anos desarvorada, tendo de deslocar-se, geralmente a pé, de bicicleta ou a cavalo, até a Catedral da Assunção, no centro de Mariana, para participar das missas dominicais.

 

“Tenho saudades das festas, nem gosto de ir lá em cima, dá uma tristeza, vem a lembrança dos meus antepassados, que estão enterrados lá ao lado de onde ficava a Igreja”. Assim pronunciou-se o Sr. Aurélio Oliveira, morador do Morro Santana, em entrevista ao jornal O Espeto, na primeira quinzena de maio de 2004. Mas foi justamente a partir desta data que o desalento dos fiéis, suscitado pela perda da Capela de Santana, ocorrida em 1977, quando aquele templo foi transferido de caminhão para Belo Horizonte, parecia ter chegado ao fim. Afinal, desde 26 de maio de 2001, o jornal O Espeto, fundado em 1928, dera início a uma investigação, no intuito de tentar descobrir o paradeiro da Capela desaparecida. Três anos depois, o periódico publicou, em furo de reportagem, a decifração do mistério: a antiga Capela do Morro Santana de Mariana havia sido reedificada na sede da Mendes Júnior, hoje Uni-BH, bairro Estoril, sendo dedicada a São Francisco das Chagas.

 

O diretor do jornal O Espeto, Leandro Henrique dos Santos, organizou uma visita à sede daquela empresa, em Belo Horizonte, em conjunto com uma comissão de antigos habitantes (Benedito Rosa, Otávio Moreira, Valdemar Faustino, Salvador Alves, José Cesário e José Paulino), os quais atuariam como testemunhas na identificação da Capela secular.Todavia, por incrível que pareça, a Capela já não se encontrava mais lá... A pequena igreja, cada vez mais itinerante, havia sido novamente desmanchada e suas peças, muitas delas guardadas em caixotes, encontravam-se em um galpão de 200 m² da Universidade Federal de Minas Gerais, no bairro da Pampulha. Na sede da Mendes Júnior ficaram apenas as pedras do piso da antiga igrejinha, reconhecidas pelos membros da comissão.

 

O caso era delicado. Quando a empresa Mendes Júnior vendeu a propriedade para a Uni-BH, ela também procedeu à doação da Capela para a UFMG, em 1999. Tendo a Universidade considerado que, por ser uma instituição não-confessional, não lhe caberia reedificar a Capela, optou por repassar o templo à PUC-Minas que, por sua vez, não chegou a recebê-lo. As peças da pequena Igreja permaneceram, por isso, armazenadas na própria UFMG, à espera de uma solução para o dilema. Ao longo daqueles cinco anos, a Universidade buscou preservar a doação como podia, procedendo à descupinização do acervo, que não era nada pequeno: ele continha mais de 190 elementos, dentre portas, janelas, candelabros, bancos, escada interna, objetos esculpidos em pedra sabão...

 

 Mas a associação de moradores do Gogô não desanimou. Afinal, havia chegado tão perto da sua almejada Capela! Foi decidido que seria realizado um abaixo-assinado, reivindicando-se o retorno da Capela ao espaço social e religioso onde fora inicialmente construída. Tal documento obteve mais de 150 assinaturas apenas de pessoas residentes na localidade, sendo, em seguida, encaminhado ao Ministério Público, com endosso do promotor Marcos Paulo de Souza Miranda. Ao mesmo tempo, laudos técnicos do IPHAN ajudaram a comprovar a autenticidade das peças, a pedido da Câmara Municipal de Mariana e de vários cidadãos da cidade.

 

Surgiu, com isso, uma expectativa bastante otimista entre a população católica de Mariana. Em decorrência, todos os domingos pela manhã a comunidade do Gogô promovia mutirão para limpar a área onde a Capela havia sido edificada, bem como a trilha que dava acesso a ela. Em paralelo, os moradores solicitaram ao padre Julião, pároco da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, que presidisse uma missa no alto da colina, junto aos vestígios do templo dedicado à Santana.

 

Foi um dia de emoção e saudade, aquele 07 de junho de 2004, quando em meio às ruínas da antiga igreja, uma nova celebração eucarística foi finalmente promovida. Ao término do ato religioso, os habitantes mais antigos narraram suas memórias e o padre Julião agradeceu ao jornal O Espeto pela localização da Capela.

 

Tudo parecia caminhar bem para que a Igreja fosse devolvida à Mariana e em seguida reconstruída, mas a burocracia não foi tão rápida quanto se gostaria. Apenas em 30 de janeiro de 2008 foi assinado um acordo entre a Coordenação das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, a Prefeitura de Mariana, a Arquidiocese de Mariana e outros representantes de diversas instituições interessadas na devolução da Capela de Santana, a fim de que esta pudesse ser reerguida no Gogô.

 

E, no dia 25 de abril de 2008, finalmente o retorno histórico: trazido em caminhões-baú, o acervo da Capela foi transferido do galpão da UFMG para as dependências do Museu da Música de Mariana. A recepção das peças contou com o badalar dos sinos e o estrondo de foguetes, além da presença de autoridades, como o Prefeito de Mariana e o Arcebispo de Mariana, D. Geraldo Lyrio Rocha, que abençoou as peças. Mas, certamente, dentre todos os presentes, os mais entusiasmados eram os moradores do Gogô, que tanto empenharam-se para que aquele momento pudesse acontecer.

 

A previsão anunciada pela Prefeitura era de que a reconstrução do templo começasse em 60 dias, uma vez que a obra havia sido aprovada pelo IPHAN, que também faria seu acompanhamento. Porém... até hoje... nem uma simples pedrinha foi erguida no local. O primeiro argumento para que as atividades não fossem iniciadas era de que surgiram problemas estilísticos no tocante ao projeto. Afinal, seria preciso utilizar materiais mais recentes, inexistentes no século XVIII e, neste processo, foram incluídas algumas reelaborações arquitetônicas, como emprego de paredes de vidro, com estrutura de metal. Aí a discussão intensificou-se, com arquitetos favoráveis e moradores nem tanto... O maior problema, entretanto, foi de cunho financeiro. O dinheiro para a edificação dependia do cumprimento de prazos, que no contexto de sucessivas substituições no principal cargo da Prefeitura de Mariana acabaram por não serem atendidos, o que levou ao recolhimento da verba pelo governo federal.

 

Atualmente, a comunidade do Gogô encontra-se novamente desconsolada. Agora, as peças não estão perdidas em algum endereço desconhecido em Belo Horizonte. Não, pelo contrário, elas encontram-se logo ali, bem pertinho, no Centro Cultural D. Frei Manoel da Cruz. O que fazer para que esta Capela seja levantada e a identidade religiosa da comunidade seja revigorada? Enquanto a reconstrução não acontece, os católicos do Gogô reúnem-se em singela sede da associação de moradores, que aos sábados, ao cair da noite, transfigura-se em acolhedora Capela. Apesar desta sede constituir-se em importante conquista social e política da comunidade, ela não é um substitutivo para a antiga Igreja, referência maior da história local. A comunidade reivindica que os símbolos de sua fé sejam respeitados, isto é, que a Capela seja transplantada para a localidade, a fim de que tal patrimônio possa ser compartilhado com toda a sociedade. Por enquanto, no dia de Santana, 26 de julho, o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra cede a imagem da padroeira, deixada sob sua guarda para melhor proteção da mesma, para que a comunidade realize procissão e missa festiva. Mas no dia seguinte, lá vai a imagem embora, pois não há Capela segura para contê-la...


Que a Santana Mestra interceda pela comunidade que lhe é tão devota, e sensibilize moradores e instituições – sobretudo o poder público - em prol da reconstrução daquela Capela do século XVIII, patrimônio histórico-cultural do município de Mariana e da sociedade brasileira. Que novos prazos não sejam perdidos, que o projeto arquitetônico, ao mesmo tempo que sugira alternativas criativas, dialogue com a cultura local, que a Capela volte a constituir-se em espaço de culto e de instigação a um futuro em que a memória não esteja alijada da história.

 

Mas se a Capela de Santana passa hoje por muitos percalços, problema menor não sofre a Capela de Nossa Senhora Aparecida, na localidade do Canela, ali bem pertinho do Gogô. Desde o século XIX, nas terras próximas ao Córrego do Canela, vinham sendo sepultados fiéis em pequeno cemitério, que assim constituiu-se em campo santo da comunidade.

 

Em torno da década de 1940, à custa de esmolas recolhidas dentre os moradores, foi então construída uma rústica capela, dedicada à Senhora Aparecida. Inclusive, no espaço atrás da capela, foram sepultadas algumas pessoas.

 

A comunidade do Canela porta um grande desejo de proceder à melhorias  na edificação da Capela de Nossa Senhora Aparecida, a qual, de fato, é de proporções diminutas e já não consegue acolher a todos os fiéis, sobretudo em dias de festa. Pede, então, à sua padroeira, a Senhora da Aparecida, que abençoe seus esforços, a fim de que a Capela do Canela seja cuidada com a atenção e o carinho que merece. Tomara que a comunidade consiga angariar fundos para a reedificação do templo, segundo as preferências da comunidade, o apoio do pároco e as graças de Deus!

Virgínia Buarque