RETIRO QUARESMAL ONLINE
DIA 22 DE MARÇO – DOMINGO
“Eu sou a ressurreição e a vida”
(Jo 11,25)
Leituras: Ez 37,12-14; Sl 129; Rm 8,8-11; Jo 11,1-45.
PEDIR A GRAÇA DA SEMANA
Senhor, dá-me a graça de permanecer fiel no seguimento
de teu Filho, em todos os momentos de minha vida
e que, conhecendo profundamente a sua entrega até a cruz,
eu possa também testemunhar, no meio das provações,
o seu amor e a sua bondade que me salvam.
INTRODUÇÃO
- Esta semana é também chamada de “Semana das Dores”, por anteceder, imediatamente, a Semana Santa. Em muitos lugares, se medita também as “dores de Maria”.
- Seu contexto na liturgia, no entanto, não é de sofrimento, mas de enfrentamento e confrontação de Jesus e dos valores do Reino de Deus contra os interesses das autoridades do Templo de Jerusalém, coligadas, ao seu tempo, com as autoridades romanas.
- O cenário é a cidade de Jerusalém e mais especificamente o Templo.
- Ali Jesus vai ser questionado em sua autoridade e ficará bem demonstrado que sua morte na cruz não é um “acidente de percurso”, mas fruto de sua opção pela justiça num mundo dirigido pela injustiça.
- Os textos desta semana são do Evangelho de São João e, de certa forma, a temática já foi anunciada quando o autor diz, no início do Evangelho, que Nosso Senhor “veio para os seus e os seus não o receberam”.
- Este “seus”, a que o prólogo de São João se refere, é o grupo e judeus que rejeitou a Jesus como Messias e Enviado de Deus.
- Eles são parte do povo de Deus, mas aferrados aos privilégios de sua função dentro da religião do Templo, não se abrem à novidade da Boa-nova de Jesus.
- Não se convertem e vão condenar Jesus ...
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO JOÃO 11,1-45
- Meditando a Palavra de Deus
- Esta última semana da Quaresma tem o objetivo de nos situar diante das verdadeiras razões da morte de Jesus na cruz.
- Deus Pai quis que Jesus nos salvasse.
- E a salvação nos vem pela fidelidade ao Plano de Amor do Pai.
- A cruz vem como consequência e testemunha desta fidelidade.
- O confronto com as autoridades do Templo revela a incapacidade do poder - religioso e político - de converter-se em amor e serviço.
- Como discípulos/as de Jesus, somos convidados a tomar nossa cruz e segui-lo ...
- A liturgia deste domingo nos coloca diante do sétimo sinal do livro dos sinais, primeira parte do Evangelho de São João.
- Às vésperas da Semana Santa, somos convidados a colocar no Senhor toda a nossa esperança e, como Marta e Maria, professar nossa fé em Jesus Cristo como nosso Redentor e vencedor da morte.
- Somos convidados a entrar nessa cena bíblica saboreando, por um lado, a amizade que Jesus nutria com esta família e, por outro, experimentar a dor da morte e a alegria que brota da fé no Senhor da vida e que não permitirá aos que n’Ele creem que desapareçam na escuridão da morte.
- Jesus, aqui, manifesta a sua humanidade e a sua amizade àquela família.
- Experimenta e manifesta suas emoções e sentimentos “abalados” diante da morte de Lázaro ...
- Ele também manifesta sua divindade, é o Messias.
- Com sua oração em alta voz, faz seus ouvintes compreenderem sua íntima relação com o Pai.
- Reza em voz alta para todos ouvirem e depois convoca Lázaro a sair do túmulo, ao que o morto sai com pés e mãos enfaixadas.
- Diz Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11, 25-26).
- Eu creio, Senhor ...
- Chegamos à esta vida se ousarmos seguir atrás de Jesus, como discípulos e discípulas ...
- Rezando à luz da Palavra de Deus
- Esta semana nos ajude a avaliar nossa adesão ao Senhor e a clarear as motivações mais profundas de nosso seguimento.
- “Se morremos com Ele, com Ele viveremos” (Rm 6,8), pois Ele é a fonte de nossa esperança...
Oração
Senhor Jesus,
Coração amado que se comove
diante da dor humana,
assim como em Betânia, escuta o nosso clamor:
"aquele que amas está doente".
Diante das nossas mortes, das faltas de fé
e dos túmulos que construímos,
ouvimos a vossa voz:
"Eu sou a ressurreição e a vida".
Pedimos a graça de não termos medo
de retirar as pedras de nossos egoísmos,
pecados e medos,
para que vossa luz penetre em nossas trevas.
Senhor, liberta-nos das faixas
que nos amarram as mãos e os pés,
que nos impedem de caminhar
e de amar em plenitude.
Concede-nos, ó Coração de Jesus, a fé de Marta e Maria,
para que, mesmo na dor, acreditemos na glória de Deus
e na vitória da vida.
Queremos ser vossos instrumentos,
ajudando a desatar os laços da morte
em nossos irmãos e irmãs,
comprometendo-nos a trazer esperança e ressurreição
onde há desesperança.
Que vossa Palavra de amor nos chame:
"Vinde para fora!"
e nos renove para uma vida partilhada e servidora.
Amém.
Para refletir: Como Marta e Maria, reconheço em Jesus o Messias, o Enviado do Pai para nos salvar? Na minha casa, acolho Jesus, tem lugar aí para Ele? Tenho ouvido a voz de Jesus que me chama para “vir para fora”, deixar a escuridão do mundo, o estado de morte diante dos meus pecados? Sou instrumento de Deus para desamarrar meus irmãos e irmãs escravizados e mortos em seus pecados, ajudando-os a caminhar? O que Jesus me pede, com o Evangelho de hoje ...
- Contemplando a Palavra de Deus
- O “sinal” realizado – a “reanimação” de Lázaro, o amigo de Jesus que a morte tinha levado – é descrito de forma muito breve, em apenas dois versículos (Jo 11,43-44).
- Mas o relato se prolonga ao longo de quarenta e cinco versículos. Apresenta numerosos diálogos … O autor do quarto Evangelho propõe à sua comunidade mais uma catequese sobre Jesus.
- O tema dessa catequese é formulado pelo próprio Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá” (Jo 11,25-26).
- Comecemos por olhar para família que protagoniza esta história. Trata-se de uma família com algumas caraterísticas que importa sublinhar.
- Notemos, antes de mais, que não há referência, por parte do narrador, a outros membros da família, para além de Maria, Marta e Lázaro: não há pai, nem mãe, nem filhos.
- Além disso, João insiste no grau de parentesco que une os três: são “irmãos”.
- A palavra “irmão” (“adelfós”) será a palavra usada por Jesus, após a ressurreição, para definir a comunidade dos discípulos (Jo 20,17); e esta denominação será comum entre os membros da comunidade cristã primitiva para se designarem entre si (Jo 21,23).
- Reparemos, por outro lado, como é descrita a relação entre Jesus e essa família de irmãos: trata-se de uma família amiga de Jesus, que Jesus conhece e que conhece Jesus, que ama Jesus e que é amada por Jesus, que recebe Jesus em sua casa.
- A família de Lázaro é uma boa imagem da comunidade cristã.
- Um fato abala a vida desta família: um dos irmãos (Lázaro) está gravemente doente (Jo 11,1). As irmãs de Lázaro mostram o seu interesse, preocupação e solidariedade para com o “irmão” doente e informam Jesus (Jo 11,3).
- Aquela família acredita que Jesus pode “dar vida” àquele “irmão” fragilizado pela doença.
- No entanto, apesar do afeto e da amizade que sente pelo seu amigo Lázaro, Jesus não vai imediatamente ao seu encontro; mas parece, até, atrasar-se deliberadamente (Jo 11,4-6).
- Jesus, sem se inquietar, deixa que a doença de Lázaro siga o seu percurso normal e que a morte física do amigo se concretize.
- Provavelmente o autor do quarto Evangelho está a querer nos dizer, desta forma, que Jesus não veio para alterar o ciclo normal da vida física do ser humano, libertando-o da morte biológica; veio, sim, para dar um novo sentido à morte física e para oferecer ao homem e à mulher a vida eterna.
- Depois de dois dias, Jesus resolve se dirigir à Judeia ao encontro do amigo Lázaro (Jo 11,7).
- Os discípulos não estão tranquilos com a decisão e lembram a Jesus que a Judeia é um lugar perigoso, pois é lá que estão aqueles – os líderes religiosos judaicos – que pretendem silenciá-lo (Jo 11,8).
- É verdade. Mas Jesus não pretende fugir às suas responsabilidades: o plano do Pai é que Ele dê vida ao homem enfermo, mesmo que para isso corra riscos.
- A sua preocupação única é realizar o plano do Pai no sentido de dar vida ao ser humano (Jo 11,9-10).
- Jesus não pode abandonar o “amigo”: Ele é o pastor que desafia o perigo por amor dos seus.
- Ao chegar a Betânia, Jesus encontra o amigo Lázaro sepultado há já quatro dias (Jo 11,17).
- De acordo com a mentalidade judaica, a morte era considerada definitiva a partir do terceiro dia.
- Quando Jesus chega, Lázaro está, pois, verdadeiramente morto.
- Jesus, em conversa com os discípulos, admite-o; mas fala da morte que atingiu Lázaro como de um “sono”.
- O autor do quarto Evangelho está, assim a sugerir que Jesus não elimina a morte física; mas, para aqueles que são amigos de Jesus, a morte física não é mais do que um sono, do qual se acorda para descobrir a vida definitiva (Jo 11,11-15).
- Por esta altura, entram em cena as “irmãs” de Lázaro.
- Marta é a primeira. Vem ao encontro de Jesus e insinua uma vaga crítica, misturada com um pedido: Jesus podia ter evitado a morte do seu amigo, se tivesse vindo imediatamente, pois onde Ele está reina a vida.
- No entanto, ela acredita que, mesmo agora, Jesus poderá interceder junto de Deus: de certeza que Deus o ouvirá e devolverá a vida física a Lázaro (Jo 11,20-22).
- Marta acredita em Deus; acredita que Jesus é um profeta através de quem Deus atua no mundo; mas ainda não tem consciência de que Jesus é a vida e que Ele próprio dá a vida.
- Jesus vai agora expor a Marta a sua catequese sobre a vida que Ele tem para oferecer.
- Começa por dizer a Marta: “teu irmão ressuscitará” (Jo 11,23). Marta pensa que as palavras de Jesus são uma consolação banal e que Ele se refere simplesmente à crença farisaica, segundo a qual os mortos haveriam de reviver, no final dos tempos, quando se registasse a última intervenção de Deus na história humana.
- Isso ela já sabe (Jo 11,24); mas isso não lhe basta: esse último dia ainda está tão longe!
- Jesus, no entanto, não está a falar de uma “revivificação”, no final dos tempos, conforme as crenças farisaicas.
- O que Ele diz é que, para quem é Seu amigo, adere a Ele e caminha com Ele, não há morte, sequer.
- Jesus é “a ressurreição e a vida” (Jo 11,25-26a).
- Para os seus amigos, a morte física é apenas “um sono”, a passagem desta vida para a vida plena.
- Jesus não evita a morte física; mas Ele oferece ao ser humano essa vida que se prolonga para sempre.
- Para que essa vida definitiva possa chegar ao ser humano é necessário, no entanto, que ele faça sua adesão a Jesus e o siga, num caminho de amor e de dom da vida.
- “Todo aquele que vive e acredita em mim, nunca morrerá”...
- A comunidade de Jesus, a comunidade dos que aderiram a Ele e ao seu projeto, é a comunidade daqueles que já possuem a vida definitiva.
- Eles passarão pela morte física; mas essa morte será apenas uma passagem para a verdadeira vida.
- E é essa vida verdadeira que Jesus quer oferecer.
- Confrontada com esta garantia de Jesus: “acreditas nisto?” (Jo 11,26b), Marta manifesta a sua adesão plena ao que Ele afirma e professa a sua fé no Senhor que dá a vida: “Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (Jo 11,27)...
- Maria, a outra irmã, tinha ficado em casa. Está imobilizada, paralisada pela dor sem esperança.
- Marta – que falara com Jesus e encontrara n’Ele a resposta para a situação que a fazia sofrer – convida a irmã a sair da sua dor e a ir, por sua vez, ao encontro de Jesus (Jo 11,28).
- Maria vai rapidamente, sem dar explicações a ninguém: ela tem consciência de que só em Jesus encontrará uma solução para o sofrimento que lhe enche o coração (Jo 11,29-31).
- Também nas palavras de Maria há uma reprovação a Jesus pelo fato de Ele não ter estado presente, impedindo a morte física de Lázaro (Jo 11,32).
- Jesus não pronuncia qualquer palavra de consolo, nem exorta à resignação: vai fazer melhor do que isso e vai mostrar que Ele é, efetivamente, a ressurreição e a vida (Jo 11,33-34).
- A cena da ressurreição de Lázaro começa com Jesus a chorar (Jo 11,35).
- Não é pranto ruidoso, mas sereno… Jesus mostra, dessa forma, o seu afeto por Lázaro, a sua saudade do amigo ausente. Ele – como nós – sente a dor, diante da morte física de uma pessoa amada; mas a sua dor não é desespero.
- Depois, Jesus chega junto do sepulcro de Lázaro (Jo 11,38).
- A entrada da gruta onde Lázaro está sepultado está fechada com uma pedra, como era costume, entre os judeus.
- A pedra é, aqui, símbolo da definitividade da morte. Separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos, cortando qualquer relação entre um e outro.
- Jesus, no entanto, manda tirar essa “pedra”: para os que creem, não se trata de duas realidades sem qualquer relação.
- Jesus, ao oferecer a vida plena, abate as barreiras criadas pela morte física. A morte física não afasta definitivamente o ser humano da vida.
- A ação de dar vida a Lázaro representa, para Jesus, a concretização da missão que o Pai Lhe confiou: dar vida plena e definitiva ao ser humano.
- É por isso que Jesus, antes de mandar Lázaro sair do sepulcro, ergue os olhos ao céu e dá graças ao Pai (Jo 11,41b-42): a sua oração demonstra a sua comunhão com o Pai e a sua obediência na concretização do plano do Pai.
- Depois, Jesus mostra Lázaro vivo diante da morte, provando à comunidade dos que creem que a morte física não interrompe a vida plena do discípulo que ama Jesus e o segue.
- Aquela família de Betânia que a catequese joânica nos traz nesta narração representa a comunidade cristã, formada por irmãos e irmãs.
- Todos eles conhecem Jesus, são amigos de Jesus, acolhem Jesus na sua casa e na sua vida, têm-no como a sua grande referência.
- Essa família também faz a experiência da morte física. Como é que deve lidar com ela?
- Com o desespero de quem está convencido de que tudo acabou? Com a tristeza de quem acha que a morte venceu, por algum tempo, até que Deus “revivifique” o “irmão” morto, no final dos tempos?
- Não. Ser “amigo” de Jesus é saber que Ele é a ressurreição e a vida e que dá aos seus a vida plena, em todos os momentos.
- Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus, apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva.
- Para os “amigos” de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos e irmãs – não há morte…
- Podemos chorar a saudade pela partida de alguém, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, esse irmão ou irmã encontrou a vida plena, na glória de Deus...
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Importante:
- Agradeça a Deus a graça deste encontro e se reconheça profundamente amado por Ele...
- Fale e escute o que o Senhor tem a relevar a você a partir deste texto bíblico...
- Renove os seus propósitos de reconhecer em Jesus o Messias, o Salvador, aquele que é “Ressurreição e vida” ...
- Conclua a sua oração pedindo as luzes do Espírito Santo para a sua vida ... Reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e dê glorias a Deus...
- Faça, a seguir, as anotações espirituais...
Senhor Jesus, proclamamos a tua glória,
porque em Ti irradia a luz da vida e da ressurreição: associaste-te aos nossos lutos,
chamas os teus amigos a sair dos seus túmulos,
Tu os arranca do sono da morte.
Nós Te pedimos: desperta em nós a fé.
Tu que libertaste Lázaro das amarras,
liberta-nos dos laços que nos paralisam
diante do próximo.
Pe. Marcelo Moreira Santiago