“Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo, e sobre nós iluminai a vossa face! Se voltardes para nós, seremos salvos!”. Na liturgia deste vigésimo sétimo domingo do Tempo Comum, vemos a grande contradição na qual a humanidade está inserida. Mesmo cercada pelos cuidados de Deus, nem sempre somos capazes de corresponder satisfatoriamente a tão grande amor. Por isso, onde o Senhor semeou carinho e cuidado, muitas vezes têm abundado a indiferença e os frutos amargos da injustiça.
Não há dúvidas de que, em nossas limitações, somos incapazes de corresponder plenamente ao grande amor que Deus tem por nós. Somos frágeis e nos deixamos levar por tantas distrações que insistem em nos afastar das boas disposições de amar mais a Deus. Embora o Senhor nos cerque de cuidados e semeie em nosso coração a boa semente do amor, muitas vezes preferimos deixar que os espinhos do mal encontrem espaço no terreno de nossa vida.
Essa nossa atitude fere profundamente o coração de Deus, pois qualquer pai que, tendo dispensado tanto carinho aos seus filhos, os vê escolher o caminho do mal sente como que o coração partido e se pergunta: “O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz?” (Is 5,4). Da parte de Deus não falta nada; muitas vezes, o que falta é a nossa resposta. É por isso que precisamos ter a coragem de pedir humildemente, fazendo nossas as palavras do salmista: “Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo!”.
Nossa atitude não pode ser como a daqueles homens que não foram capazes de acolher a presença do herdeiro da vinha em sua existência. Muitas vezes, também nós, interpelados pela Palavra de Cristo, preferimos silenciá-la em nosso coração, para não nos comprometermos com tudo aquilo que ela implica. Os apelos presentes no Evangelho precisam encontrar espaço em nosso coração, para que tenhamos a capacidade de responder com generosidade ao amor paternal de Deus para conosco.
Por fim, peçamos a Deus, neste domingo, que nos ajude a crescer na necessária submissão à sua vontade. Neste mundo marcado por novas formas de idolatria, corremos o risco de depositar nossa confiança absoluta em pessoas, projetos e realidades que não podem ocupar o lugar de Deus em nossa existência. Reconheçamos, portanto, que o verdadeiro Senhor de nossa vida é Deus e ninguém mais. As dificuldades que enfrentamos, as decepções que sofremos e as feridas que se abrem em nosso coração fazem parte de nossa condição humana e, muitas vezes, também podem ser agravadas por nossas escolhas e pelo nosso afastamento de Deus. Por isso, abramos o nosso coração à ação do Espírito Santo e cresçamos na docilidade Àquele que é o verdadeiro dono da vinha de nossa vida.
ORAÇÃO: Deus eterno e todo poderoso, que no vosso imenso amor de Pai nos concedeis mais do que merecemos e pedimos, infundi em nós vossa misericórdia, para perdoar o que nos pesa na consciência e para nos dar mais do que a oração ousa pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
Seminarista Rômulo Ribeiro