RETIRO QUARESMAL ONLINE
DIA 5 DE ABRIL
DOMINGO DA PÁSCOA - RESSURREIÇÃO DO SENHOR
“Tiraram o Senhor do túmulo”
(Jo 20,2)
Leituras: At 10,34a.37-43: Sl 117; Cl 3,1-4 ou Cor 5,6b-8; Jo 20,1-9.
PEDIR A GRAÇA DA SEMANA
Senhor, concede-nos a graça de sermos mensageiros/as
do seu amor e da sua misericórdia a todas as pessoas
que encontramos pelos caminhos da vida.
INTRODUÇÃO
- Com essa reflexão orante, encerramos o Retiro Espiritual on-line da Quaresma e da Semana Santa. Espero que lhes tenha sido de grande proveito espiritual.
- Mais que lhes trazer algumas reflexões, fiz com que elas também me ajudassem nesse tempo de conversão, solidariedade ao sofrimento de Cristo, alegria pela vida nova e salvação que Ele nos concede e compromisso, no seguimento d’Ele, de amar e servir...
- Peço-lhes, rezem por mim, em tempos de maior provação diante da enfermidade que enfrento. Tudo ao tempo de Deus e sob o seu comando...
- Neste dia, já despertos, ressuscitados, a nossa oração consistirá em contemplar a resposta de Deus à cruz do seu Filho.
- A alegria da ressurreição deve ser transformada em missão.
- Sair de si e ir ao encontro da vida esvazia a morte e os seus sinais em uma sociedade que esconde e despreza os seus filhos e filhas, mortos por tantos tipos de mortes.
- Não há vida sem feridas, não há paz sem chagas.
- A ressurreição de Cristo nos educa a não desistirmos do que há o eterno em nós. Ele está no meio de nós.
- É preciso converter os sentidos e mudar o modo de existir, não podemos esquecer que a sua morte é para nós vida.
- A cada instante vamos ressuscitando como processo. Pouco a pouco, Ele vai nos ressuscitando...
- É preciso sentir que o cotidiano está cheio de Deus e do seu Filho ressuscitado.
- A sua presença acontece tal como o fermento na massa, não como espetáculo...
- De fato, um mergulho em Deus nos faz ver novas todas as coisas.
EVANGELHO DE JESUS CRISTO SEGUNDO
SÃO JOÃO 20,1-9
- Meditando a Palavra de Deus
- Prepare sua oração com muito cuidado. Observe como você se encontra nesse momento... procura aquietar-se interna e externamente...
- Coloque-se na presença da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo...
- Leia, pausadamente, o texto bíblico.
- Despertemos para a ressurreição do Senhor e a nossa casa.
- A alegria da ressurreição não é igual à do mundo.
- A de Cristo é plena, discreta e profunda.
- Vamos ressuscitando, repito, processualmente e devemos viver esse processo...
- Os nossos olhos precisarão despertar para o novo no cotidiano, no corriqueiro.
- Passo a passo, o Senhor vai se revelando e nos ressuscitando.
- Em cada gesto de resistência diante da injustiça, da morte e da guerra, da mentira e da corrupção, estará sempre a vitória de Cristo sobre a morte.
- O cotidiano está cheio de Deus, como fermento, nunca como disse, como espetáculo...
- Vejamos como a morte de Jesus foi um evento público.
- N’Ele estavam autoridades da religião e do império, amigos e familiares, transeuntes.
- A experiência da ressurreição vai acontecer no cotidiano de cada vida, processualmente.
- A vida vai nos vivificando sem espetáculo, ao mesmo tempo que nos vai convidando a um olhar profundo diante da vida no aqui e agora que, no entanto, está sempre apontando para o céu...
- Rezando à luz da Palavra de Deus
- O Evangelho nos convida a olhar para o túmulo vazio de Jesus e a “acreditar”.
- O verdadeiro discípulo de Jesus, aquele que o conhece bem, que entende a sua proposta e está disposto a segui-lo sabe que a forma como Ele viveu e amou não podia terminar no túmulo, no fracasso, no nada.
- Por isso, está sempre preparado para acolher a Boa notícia da ressurreição.
Oração
Senhor Jesus,
nesta manhã de Páscoa,
como Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado,
corremos ao encontro do Teu túmulo vazio.
Onde esperávamos a morte,
encontramos o sinal da Vida.
Adoramos o Teu Coração,
que amou até ao extremo e não foi retido pela morte.
A Tua ressurreição é a prova de que o Amor
é mais forte.
Repara, Senhor, a nossa falta de fé
e faz-nos ver e acreditar,
como o discípulo que entrou, viu e creu.
Coração Sagrado de Jesus,
que "esvaziaste" o túmulo pelo Teu amor,
esvazia também o nosso coração
de todo o egoísmo, de toda a indiferença
e de todo o medo.
Que o Teu Espírito nos transforme
em apóstolos da Páscoa,
Construtores de Paz e em reparadores
da Tua vinha.
Maria Madalena te reconheceu
quando a chamaste.
Chama-nos também, Senhor, e faz-nos correr
para anunciar que Tu vives
e reinas para sempre.
Amém.
Para refletir: Confio e acredito em Deus, tornando minha vida uma entrega total a Ele? Que propósitos procurarei assumir ao celebrar a Páscoa do Senhor? Trago em minha vida sinais de incredulidade e de contratestemunho, dos quais preciso me converter? Como vivi a Semana Santa, com devoção e piedade, confiança em Deus e propósito de fazer sempre e apenas o bem? ...
- Contemplando a Palavra de Deus
- O relato joânico começa com uma indicação aparentemente cronológica, mas que deve ser entendida, sobretudo, em chave teológica: “no primeiro dia da semana”.
- Isto significa que aqui começa um novo ciclo – o da nova criação, o da libertação definitiva.
- Este é o “primeiro dia” de um novo tempo e de uma nova realidade – o tempo do Homem Novo, do ser humano que nasceu a partir da ação criadora e vivificadora de Jesus.
- Nesse primeiro dia da semana, “de manhã cedo”, Maria Madalena dirige-se ao túmulo de Jesus.
- Maria Madalena representa, no Quarto Evangelho, a nova comunidade nascida da ação criadora e vivificadora do Messias.
- No entanto, para Maria Madalena “ainda estava escuro”: a comunidade nascida de Jesus estava convencida, nessa hora, de que a morte tinha triunfado e que Jesus estava prisioneiro do sepulcro.
- Era, portanto, uma comunidade perdida, desorientada, insegura, com medo, sem esperança.
- A primeira coisa que Maria Madalena vê, quando se aproxima, é que a pedra que fechava o sepulcro havia sido retirada.
- Essa pedra, colocada depois do corpo morto de Jesus ter sido depositado no túmulo, assinalava a morte definitiva de Jesus.
- Estabelecia a separação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Porque é que essa pedra foi retirada?
- Além disso, o túmulo está vazio. O que é que isso significa? Maria constata estes dados; mas não consegue perceber onde é que eles conduzem. Está desorientada e perplexa. Ainda está na escuridão. Não põe, nesse primeiro momento, a hipótese de a morte de Jesus não ser definitiva. Conclui apenas que alguém tinha retirado daquele túmulo o corpo morto de Jesus.
- A conclusão de Maria, a sua dificuldade em interpretar os sinais revela, provavelmente, a perplexidade e a confusão dos discípulos, nas primeiras horas da manhã de Páscoa, diante do túmulo vazio de Jesus.
- Só mais tarde, num desenvolvimento que a liturgia deste dia não conservou, Maria Madalena fará a experiência do encontro com Jesus ressuscitado e tornar-se-á testemunha da ressurreição (Jo 20,11-18).
- Na sequência, João entende apresentar uma catequese sobre a dupla atitude dos discípulos diante do mistério da morte e da ressurreição de Jesus.
- Essa dupla atitude é expressa no comportamento dos dois discípulos que, na manhã da Páscoa, alertados por Maria Madalena para o fato do corpo de Jesus ter desaparecido, correram ao túmulo: Simão Pedro e um “outro discípulo” não identificado (mas que parece ser esse “discípulo amado”, apresentado no Quarto Evangelho como o modelo ideal do discípulo).
- O “discípulo amado” é uma figura de destaque no Evangelho segundo João.
- Na última ceia, foi ele que recebeu a confidência de Jesus sobre a traição de Judas (Jo 13,23-26); na paixão, foi ele que conseguiu estar perto de Jesus no átrio do sumo sacerdote, enquanto Pedro o trai (Jo 18,15-18.25-27); foi ele que esteve junto de Jesus, numa altura em que os outros discípulos estavam escondidos, cheios de medo (Jo 19,25-27); foi ele que reconheceu Jesus ressuscitado naquele vulto que apareceu junto da praia no lago de Tiberíades, após uma noite inglória de pesca (Jo 21,7).
- Ele é um discípulo muito próximo de Jesus, com uma ligação e uma empatia especiais com Jesus.
- Nas cenas em que apareceu lado a lado com Pedro, o “discípulo amado” levou vantagem. Aqui, isso irá acontecer outra vez: ele correu mais e chegou ao túmulo primeiro que Pedro. Correu mais, porque amava mais; chegou primeiro, porque sempre esteve mais próximo de Jesus.
- No entanto, diz o texto, “não entrou”. Só avançou depois de Pedro ter entrada no sepulcro: ao ceder o passo a Pedro, mostra deferência e amor, que é o que se esperaria de alguém que tem uma forte ligação a Jesus.
- Este discípulo “viu e acreditou” (vers. 8). Viu os sinais, soube interpretá-los e o seu amor a Jesus levou-o a perceber que o Mestre tinha vencido a morte. Em contrapartida, não se diz o mesmo sobre Pedro.
- O que é que estas duas figuras de discípulo representam?
- Em geral, Pedro representa, nos Evangelhos, o discípulo obstinado, para quem a morte significa fracasso e que se recusa a aceitar que a Vida nova passe pela humilhação da cruz (Jo 13,6-8.36-38; 18,16.17.18.25-27; Mc 8,32-33; Mt 16,22-23).
- Ele é, em várias situações, o discípulo que tem dificuldade em entender os valores que Jesus propõe, que raciocina de acordo com a lógica do mundo e que não entende que a Vida eterna e verdadeira possa brotar da cruz.
- Na sua perspectiva, Jesus fracassou, pois insistiu – contra toda a lógica – em servir e em dar a vida.
- Para ele, a doação e a entrega não podem conduzir à vitória, mas sim à derrota; portanto, Jesus morreu e o caso está encerrado.
- A eventual ressurreição de Jesus é, para alguém que vê as coisas dessa forma, uma hipótese absurda e sem sentido.
- Ao contrário, o “outro discípulo” – o “discípulo amado” – é aquele que está sempre próximo de Jesus, que se identifica com Jesus, que adere incondicionalmente aos valores de Jesus, que ama Jesus.
- Nessa comunhão e intimidade com Jesus, ele aprendeu e interiorizou a lógica de Jesus e percebeu que a doação e a entrega são um caminho de Vida.
- Para ele, faz todo o sentido que Jesus tenha ressuscitado, pois a vitória sobre a morte é o resultado lógico do dom da vida, do amor até ao extremo.
- Esse “outro discípulo” é, portanto, a imagem do discípulo ideal, que está em sintonia total com Jesus, que percebe e aceita os valores de Jesus, que está disposto a embarcar com Jesus na lógica do amor e do dom da vida, que corre ao encontro de Jesus com um total empenho, que compreende os sinais da ressurreição e que descobre – porque o amor leva à descoberta – que Jesus está vivo. Ele é o paradigma do Homem Novo, do ser humano recriado por Jesus.
Importante:
- Finalize sua oração agradecendo e confiando a Deus os frutos que espera colher das celebrações da Páscoa do Senhor ...
- Entre em diálogo com aquele que nos ama e nos anima na missão ...
- Renove os seus propósitos de viver a vida nova que Jesus nos trouxe com sua paixão, morte e ressurreição ...
- Converse com Jesus, agradecendo, pedindo, manifestando a Ele o que está em seu interior.
- Reze um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e dê glorias a Deus... Celebre hoje com sua comunidade a Páscoa do Senhor.
- Faça, a seguir, as anotações espirituais...
“Ele viu e acreditou” (Jo 20,8)
Pe. Marcelo Moreira Santiago