Iniciamos hoje o mês de maio, mês tão caro ao coração da Igreja, pois se trata de um período em que dedicamos todo o nosso amor a Nossa Senhora. Em nossas comunidades, somos convidados a elevar nossos louvores à Mãe de Deus e nossa Mãe, reconhecendo a sua grandeza e, sobretudo, aprendendo com ela a seguir Jesus, nosso Salvador.
E logo neste primeiro dia, a liturgia nos coloca também diante de uma outra figura grandiosa por sua efetividade no cumprimento silencioso da vontade de Deus: São José, esposo castíssimo da Virgem Maria. Celebrar este santo é contemplar a beleza de uma vida escondida, mas profundamente fiel. É olhar para alguém que soube fazer da sua existência uma resposta concreta à vontade do Senhor.
Diante da riqueza de seu testemunho, o que mais chama atenção na vida deste santo é a discrição com que cumpriu a sua missão. José, fala mais ao nosso coração por sua simplicidade e silêncio, que se traduziram na coragem de enfrentar as dificuldades, provendo assim o sustento para a Sagrada Família. O guarda providente da Divina Família não deixou discursos, não escreveu tratados, não fundou obras de caridade; muito menos foi sacerdote, teólogo, ou um grande mestre aos olhos do mundo.
Mas a grandeza de São José se concentra na sua fidelidade à vontade divina. Em sua vida nesta terra foi trabalhador, foi esposo, foi pai. E, na simplicidade dessas realidades, viveu com generosidade tudo aquilo que Deus esperava dele.
E aqui está uma palavra muito atual para nós: Vivemos num mundo marcado pela busca dos holofotes, pela necessidade de aparecer, pelos “likes”, pela exposição constante, pela ansiedade de corresponder a padrões impostos. Nesse contexto, o testemunho de São José nos ensina algo essencial: não precisamos fazer coisas extraordinárias aos olhos dos outros para agradar a Deus, o que Ele espera de nós é fidelidade e não uma vida artificial que não se traduz em obras concretas de serviço e doação ao Reino dos Céus.
Fidelidade no pouco. Fidelidade no cotidiano. Fidelidade quando ninguém está vendo. José nos ensina que é preciso sair do centro, deixar de lado o nosso auto-referencialismo, para que Cristo ocupe o lugar que é d’Ele. É Ele quem deve aparecer. É Ele quem deve crescer. E foi justamente por essa fidelidade silenciosa que São José recebeu uma das maiores honras: ser chamado pai de Jesus (cf. Mt 13,55). Não por mérito humano, mas pela grandeza do seu coração, capaz de acolher os planos de Deus, mesmo quando eles desconcertavam os seus próprios projetos. José abriu mão de si para que Deus realizasse a sua obra.
É no silêncio da vida que a santidade cresce. É na perseverança do cotidiano que Deus nos transforma. Somos chamados a ser luz onde estamos: em casa, no trabalho, na comunidade. Uma luz simples, mas verdadeira, que ajude os outros a perceberem como é bom ser de Deus, como é bom viver cumprindo a sua vontade.
E hoje, celebrando São José Operário, somos convidados também a alargar o nosso olhar e o nosso coração, rezando por tantos trabalhadores e trabalhadoras que, todos os dias, lutam pelo sustento de suas famílias, muitas vezes em condições difíceis, precárias, injustas. Rezemos por eles e por seus empregadores.
Peçamos ao Senhor, pela intercessão de São José, que cresça em nossa sociedade o compromisso com a justiça, com a dignidade do trabalho, com políticas que realmente defendam os direitos dos trabalhadores. Peçamos também por cada um de nós, para que saibamos enxergar no trabalho não apenas uma obrigação, mas um caminho de santificação.
Confiemos, então, esta intenção ao Senhor:
Deus de infinita misericórdia, olhai com bondade para todos aqueles que trabalham e se dedicam diariamente à construção de nossa sociedade. Fortalecei-os com a vossa graça, para que o labor de suas mãos produza frutos não apenas materiais, mas também espirituais. Moldai o nosso coração segundo a sua vontade, para que nossa esperança não seja depositada nas seguranças desse mundo e assim possamos trabalhar nesta vida, almejando a graça que nos espera na vida eterna.
Pedimos também que não deixeis faltar o pão na mesa de nossas famílias. Concedei a todos, principalmente àqueles que se encontram desempregados, oportunidades dignas, para que possam colocar seus dons a serviço do bem comum. E que o exemplo e a intercessão de São José sejam luz a iluminar o caminho dos trabalhadores de nosso tempo.
Assim seja. Amém.
Seminarista Rômulo
Primeira sexta-feira, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus.
Sagrado Coração de Jesus, nós temos confiança em vós!